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Tatau evita especular sobre show de última hora no Pelô: 'Talvez não seja peça importante'

Por Jamile Amine / Rebeca Menezes

Foto: Jailton Suzart / Ag Haack / Bahia Notícias

Tatau quase ficou de fora do Carnaval 2020 de Salvador, mas foi anunciado de última hora como atração do palco principal do Pelourinho nesta sexta-feira (21). Pouco antes de iniciar seu show, o artista comentou com o Bahia Notícias que não sabe exatamente como foi feita a negociação com a Bahiatursa para que ele fosse contratado.

 

"Os trâmites eu não sei verdadeiramente como ocorreu. O mais importante é que eu, aos 47 do segundo tempo, tô sendo agraciado com essa condição maravilhosa, não só de fazer o Carnaval de Salvador, mas fazer no Pelourinho. É uma dupla sensação positiva desse processo, porque uma das músicas mais importantes da minha vida eu fiz aqui, 'Protesto Olodum'. Eu fui campeão do Festival do Olodum aqui nesse local, e essa música que acabou de completar 33 anos. 

 

Ele detalhou que já estava com shows fechados para sábado, domingo, segunda e terça-feira de Carnaval: "Era uma busca na quinta e sexta-feira pra eu pelo menos brindar meu povo com uma participação, com a possibilidade deles festejarem um momento importante que é o Carnaval. E graças a Deus aconteceu".

 

Questionado sobre como encarava o fato de quase ficar de fora da folia na sua própria terra, Tatau fez questão de frisar que não reclama da situação. ""Eu quero agradecer. Nunca fui polêmico, não gosto de ficar reclamando, e muitas vezes nem adianta. Eu não curto essa. Eu quero subir no meu palco, fazer meu trabalho, fazer as pessoas felizes", comentou.

 

"Sinceramente, são situações que eu evito até de especular, porque eu tenho um pensamento totalmente divergente de algumas situações. E eu procurei na minha carreira, já que eu tenho o meu mercado, sempre fiz meu carnaval de maneira bacana, positiva, organizada e respeitosa, tenho passado por lugares que têm me dado o que minha terra poderia me dar. Mas eu sou muito tranquilo em relação a isso. Eu não reclamo, porque sei que Salvador, naquele exato momento, talvez eu não seja uma peça de real importância, mas termino sendo importante em outros lugares. Então eu saio de forma digna e vou representar minha terra em vários pontos", completou.

 

Sobre o repertório, o cantor explicou que escolhe as canções que leva para o palco a partir da energia trocada com cada público, como uma "ação e reação. "Eu vejo, sinto, alimento e sou alimentado. É uma troca o que acontece comigo no palco. No meu dia a dia, nos meus shows, eu esqueço que tem repertório e vou ditando ali no interno, que é a comunicação com meus músicos, e a gente vai fazendo a festa do povo". Por isso, no Pelourinho não poderia ser diferente: "Olha esse público, olha esse chão. Ele não pode ser outra coisa além do axé, da raiz".

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