Quero ser prefeito de Salvador
Por Fernando Duarte
Calma. É uma piada. Não tenho qualquer pretensão política. Prefiro estar do lado de quem noticia malfeitos e bem feitos de ocupantes de cargos públicos. Porém, diante do número expressivo de pessoas que se colocam como candidatos para 2020 – ou simplesmente pedem que alguém os lancem como candidatos -, não vejo razões para não fingir que tenho uma ideia fixa de ocupar o Palácio Thomé de Souza. Se tantos querem, é porque deve ser bom, não?
Logo após fecharem as urnas em 2018, foram inúmeros os nomes a aparecerem como postulantes à candidatura a prefeito de Salvador nas próximas eleições. O mesmo acontece em qualquer cidade do país. Quando se encerra um pleito, o seguinte já está no prelo. É o processo natural da política. Infelizmente, inclusive. Alguns, como o governador Rui Costa, simulam não estarem preocupados com a próxima disputa. É um ledo engano. Quem está no poder vai se movimentar para manter esse naco e expandi-lo. Seja por medo dos adversários ou apenas para ampliar os espaços dos aliados. O que deixa o processo um pouco chato são as especulações que não param de aparecer.
Nessa fase pré-campanha, gato, cachorro e papagaio aparecem como candidatos. Por isso sobram vereadores, deputados, políticos sem mandato e todo tipo de figura pública dizendo – ou sendo citado – como possível eventual (a redundância foi proposital) candidato. É uma forma de se capitalizar eleitoralmente e, de alguma forma, manter vivas as relações com a imprensa. A razão é clara: quem não é visto não é lembrado. Afinal, comemos ovos de galinha porque ela faz barulho depois de pôr, ao invés dos de pata, que fica em silêncio e é discreta.
Na atual contagem, somente Salvador deve ter 20 candidatos a prefeito. Alguns partidos, como o PT, vão ter mais de um (como se fosse possível). Dessa vez, por enquanto, não teremos aquele eterno comunicador-candidato, mas que caminha para ser substituído em termos similares. Tem também os outsiders que ainda não colocaram a cabeça para fora do buraco para evitar ter a cabeça cortada antes da hora. Cautela e canja de galinha nunca fizeram mal a ninguém. Ou alguém quer me convencer que o nome do presidente do Bahia, Guilherme Bellintani, não aparece também como estratégia de embaraçar as relações que ele mantém com ACM Neto - que já tem Bruno Reis como candidato - e Rui Costa? Certo está ele, que continua a dizer estar focado em presidir o clube.
Por isso, já que a ideia é lançar nomes ao léu, gostaria de me apresentar nessa disputa. Tenho 33 anos, sou limpinho, minha ficha corrida também. Não possuo antecedentes criminais, nunca me envolvi em esquemas de corrupção e sempre mantive distanciamento de uma filiação partidária. Sou contra falsificar carteirinha de estudante e quase sempre fico indignado com o que acompanho na Câmara de Vereadores, na Assembleia Legislativa, na Câmara dos Deputados, no Senado Federal, no Palácio Thomé de Souza, na governadoria e no Palácio do Planalto. Acho que isso já me habilita a ser um bom gestor, talkey?!?
Antes que falem, estou vacinado contra a mosca azul da política. Mas não achem que serei um mero espectador desse teatro. Enquanto quiserem bancar os palhaços no circo, estarei muito bem disposto a apontar e rir.
Este texto integra o comentário desta segunda-feira (3) para a RBN Digital, veiculado às 7h e às 12h30, e para as rádios Excelsior, Irecê Líder FM, Clube FM e RB FM.
