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Pitta: 'Se convidassem o Cortejo pra sair sem cordas e me pagassem R$ 600 mil, eu sairia'

Por Lucas Arraz / Jamile Amine / Rebeca Menezes

Foto: Divulgação

Todos os anos os blocos afro amargam dificuldades para desfilar no Carnaval de Salvador. Nem mesmo o edital Ouro Negro, voltado para estas agremiações, chegou a contemplar o apoio necessário para que entidades tradicionais colocassem seus blocos na rua este ano. 


“Com todas as dificuldades, o Muzenza quase não vai pro Carnaval, o Malê Debalê quase não vai pro Carnaval, uma série de blocos afro e afoxés que vivem na invisibilidade deixou de sair esse ano de verdade. Então estão acontecendo coisas que a cidade precisa refletir em relação a isso”, disse neste domingo (3), Alberto Pitta, presidente e fundador do Cortejo Afro, comentando a ausência do Muzenza e do Malê entre os contemplados pelo edital.

 

A secretária de Cultura da Bahia, Arany Santana, chegou a comentar a não classificação dos blocos tradicionais. Segundo ela, “os nossos blocos, principalmente esses que são blocos de peso, fundadores do Ouro Negro, relaxaram nesse processo de elaborar o seu projeto, fazer sua planilha, e chegar em tempo hábil nesses 30 dias pra se inscrever" (clique aqui e saiba mais).


Pitta criticou ainda o modelo de patrocínio governamental a artistas de fora. “Se você parar pra pensar, quando falam no Carnaval sem cordas eu estranho. Pra mim, bloco sem cordas é se Eva, Cheiro, Crocodilo 'arriarem' as cordas nos dias que eles saem. Fora isso, é o governo subvencionando a quem nem ele mesmo conhece. Isso é um erro tácito. Se convidassem o cortejo pra sair sem cordas e me pagassem R$ 600 mil, eu sairia sem cordas”, afirmou.


Ele falou ainda sobre a segurança e a segregação durante o Carnaval de Salvador. “O Cortejo Afro, o Gandhy, o Ilê Aiyê de fato não precisam das cordas. Porque os cordeiros dos blocos afro estão ali apenas para manterem as cordas em pé e abertas e garantir um desfile estético. Não são segurança de nada nem de ninguém. Quem quer segurança é a classe média branca, que sem os cordeiros, que vêm dos bairros populares da cidade, eles não saem. Eu quero ver qual bloco da classe média que vai pra rua se souber que não tem a segurança desses maltrapilhos cordeiros”, destacou.

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