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Confira o que os postulantes ao governo da Bahia propõem para a Segurança Pública

Foto: Divulgação

Nas Eleições 2018 o Bahia Notícias fez uma série de entrevistas com os candidatos ao governo da Bahia. Eles explicaram suas propostas para seis áreas consideradas importantes pelos eleitores que acompanham o site: Educação, Geração de Emprego, Segurança Pública, Interiorização da Bahia, Saúde e Combate à Corrupção.

 

Para a resolver os problemas na Segurança Pública estadual, os candidatos ao governo propuseram aumento do efetivo policial, investimento em inteligência e tecnologia, valorização dos servidores da área, entre outras. Veja:

 

RUI COSTA (PT)

O candidato não concedeu entrevista ao Bahia Notícias.

 

JOÃO SANTANA (MDB)

Primeiro a segurança não é para mim um problema policial. A insegurança que existe é função de uma realidade socioeconômica perversa. Em um estado que você tem entre os que deixaram de procurar emprego e os desempregados dois milhões de homens e mulheres, evidentemente 50 ou 60 mil se desencaminham. Aí começa o processo, o jovem começa a transportar droga, começa a se viciar, então a insegurança inicialmente tem como responsável a estrutura da sociedade. Eu pretendo ajudar nisso primeiro abrindo a possibilidade de empregar, porque cada família que tenha pelo menos uma pessoa empregada já está vendo uma luz no fim do túnel.

 

No ponto de vista policial, no ataque às inseguranças que nós temos conhecimento do dia-a-dia, aí sim eu pretendo, primeiro, ampliar o efetivo policial, no mínimo em 15 mil pessoas. No momento nós temos 32 mil policiais, aproximadamente 5 mil deles estão em áreas que não são de policiamento, são funções burocráticas, etc. As organizações que tratam do assunto no mundo inteiro dizem que nós deveríamos ter 60 mil, mas a Bahia não tem estrutura econômica. Como eu sempre defendi a ideia de que não é o que eu quero nem o que você quer, é o que é possível, então vai ser possível nós adotarmos mais 15 mil policiais na Bahia.

 

Em segundo lugar precisamos ter inteligência policial acoplada a investigação. Hoje na Bahia não existe isso, de tal forma, que, segundo as estatísticas, 85% dos crimes na Bahia não são elucidados. Então nós não temos nem investigação boa e nem inteligência boa. Nós precisamos tecnologicamente elevar essa inteligência, e acoplar a investigação, para que a gente tenha sucesso nessa área.

 

Depois poderia fazer algumas reformas no estatuto das polícias Civil e Militar, para evitar, por exemplo, que a influência política se envolva nas promoções de carreira militar, ou de polícia. O comandante geral da Casa Militar tem que ser do governador, ele é quem indica, agora no processo, no dia-a-dia, na vida do policial civil ou militar, ele chegou no momento da promoção, ele tem que passar na promoção, sem privilégio e sem influência política. Então nós precisamos dar um basta nisso.

 

Aproximar a polícia da comunidade, a famosa polícia comunitária que países como Japão tem, que outros países já têm, para que os policiais entendem que são pagos pela sociedade e a sociedade entenda que tem que prestigiar aquelas pessoas que estão ali para defendê-los.

 

O policial sai de manhã e não sabe se volta, e nos dias de hoje piorou, nem a farda num ambiente residencial ele pode usar, porque se um marginal descobre que ele mora ali, ele pode vir e cometer um crime. Então eu preciso pelo menos prestigiar as famílias desses policiais, para que um policial não morra em uma briga com marginais e no outro dia a família não sabe o que vai fazer. Tem que ter pelo menos garantias mínimas para reiniciar a vida.

 

 

MARCOS MENDES (PSOL)

No sistema policialesco, é valorização dos policiais. Os policiais hoje não têm carreira única, a gente quer investir na carreira única desses policiais. Eles entram como soldados e acabam levando 17 anos pra ser cabo, depois cinco anos pra ser sargento e mais 17 anos pra ser tenente. Então, a gente quer que tenha uma carreira, que eles tenham condição de fazer um concurso interno, que eles possam ir ascendendo na carreira e chegue até coronel.

 

A gente defende nacionalmente a PEC 51, que é a desmilitarização da polícia. Ter um ciclo completo, tanto preventivo como ostensivo, e investimento pesado na inteligência na polícia. Hoje, de cada R$ 1 mil, só se investe R$ 1 em política de inteligência, que é em torno 0,1%. A gente quer pelo menos 20% em inteligência, um trabalho preventivo e a valorização. Essa valorização não é só a carreira única com um salário decente pra os profissionais na área da Polícia Militar, mas também na área da Polícia Civil. Em 2009, foi aprovado um plano de carreira superior para os agentes e vários outras profissionais da área de segurança da Polícia Civil, mas eles ganham como ensino médio. Imagine, depois de nove anos, ganham como ensino médio. Precisa ser valorizado esses profissionais da Polícia Civil também. Então, eu acho que é valorização e inteligência da polícia e o trabalho preventivo, a gente vai mexer com a segurança pública do Estado.

 

ORLANDO ANDRADE (PCO)

Segurança é um dos temas mais importantes e que a gente é sempre perguntado. Nós do Partido da Causa Operária defendemos uma polícia municipalizada, uma polícia descentralizada, com comando eleito pela própria tropa e pela população, e não a politicagem, e não os conchavos políticos. Uma polícia que seja mais próxima da população e menos repressiva.

 

ZÉ RONALDO (DEM)

Segurança é uma coisa que você precisa ter muita prática e objetividade. Por mais que se tente estudar, pesquisar a respeito da segurança pública, você não encontra na prática muitas coisas. Eu acho que você tem realmente que ver o que tem de positivo e que deu certo em outros estados, em outros locais, o que se pode trazer de lá para cá, para fazer aqui, com uma equipe de trabalho, de pessoas que entendem de segurança pública, que façam a segurança pública.

 

Por exemplo, essa questão que se fala de fortalecer o que chamam de Delegacias Territoriais, eu acho que isso pode ajudar sim a agilizar a investigação, a chegar às conclusões delas. Modernizar a Polícia Rodoviária Estadual, no sentido de que quando eles estão em determinados pontos estratégicos do estado da Bahia, possam fiscalizar e coordenar essa fiscalização de uma forma mais moderna, mais dinâmica, para que a gente possa realmente ajudar nessa fiscalização, prender os bandidos, as pessoas que têm perturbado a sociedade baiana.

 

Vou cobrar do governo federal, exigir, ser um governador que vai trabalhar com o governo, mas cobrando o que eles têm a obrigação de fazer. Combater essa questão do tráfico nas fronteiras do país, e ao mesmo tempo também a gente tem que ter maneiras de como combater o tráfico nas divisões dos estados. Enfim eu acho que dá também no combate a essa questão do tráfico de armas, narcotráfico, e essas coisas todas, eu acho que isso você poderá fazer uma melhoria significativa na questão da segurança pública.

 

CÉLIA SACRAMENTO (REDE)

O problema da segurança está na maneira, na metodologia como a política tem sido implementada. Existe uma política direcionada, uma polícia direcionada para o combate do jovem que está cometendo pequenos delitos, que estão usando drogas. Eu vejo os meninos como vítimas. Assim como os policiais também são vítimas. Nos últimos meses mais de 21 policiais militares se suicidaram porque não aguentam mais esse tipo de trabalho. É absurdo o que colocam. Então o policial é vítima, a sociedade é vítima, o jovem é vítima, e de quem é a culpa? Do sistema.

 

Existe um crime organizado, municipal, estadual, federal e internacional, que [o governo] não está preocupado, querem mostrar resultados, pronto. E qual o caminho mesmo? Policiamento em ciclo completo, um trabalho direcionado para o cuidado, para a investigação. Investir na investigação policial, valorização do trabalho de investigação policial, tem que se investigar o problema antes e paralelo a isso garantir que o jovem esteja na escola. Os bairros não são violentos, eles são violentados pelo sistema, se as políticas públicas nas áreas de educação, cultura e esporte chegassem nos bairros de Salvador nós tínhamos talentos, mas é fácil não levar política pública e dizer que o bairro é violento.

 

JOÃO HENRIQUE (PRTB)

Para segurança tem medidas de curto, médio e longo prazo. Eu sou simpático com uma medida que a prefeitura de São Paulo fez que é a instalação de câmeras na cidade toda, ao invés de a cidade ter câmeras como tem hoje, para encher o carro da gente de multas, eu acho que a cidade deveria ter câmeras para dar segurança a gente. O que eu vejo hoje em Salvador é um Big Brother pra encher o carro da gente de multas, quando a gente vai pagar o IPVA está cheio de multa.

 

Além das câmeras de segurança, que vão inibir ações de criminosos, o policiamento nas escolas, tanto dentro quanto no entorno, por causa do tráfico de drogas. Estão levando os jovens de dentro das escolas, estão vendendo drogas dentro das escolas.

 

Então, polícias em escolas, policiais próximos a postos de saúde, porque estão assaltando agora até em postos de saúde. Em algumas escolas em Salvador e na Bahia eu defendo que a gestão da escola seja militar, em bairros altamente perigosos em que só a presença do policial não vai resolver e aí você vai ter que ter além da presença policial, administração militar. Porque aí sim os traficantes não vão encostar naquela escola se souberem que o diretor é um sargento, coronel, tenente ou major aposentado da Polícia Militar. Além disso a gestão militar tem disciplina, hierarquia, tem ensino de valores morais e éticos, que a escola natural não passa, mas a militar passa.

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