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O declínio de Geddel, a toxidade do MDB e a primeira eleição sem o emedebista

Por Fernando Duarte

Foto: Reprodução/ Jota.Info

Depois de muito tempo, o ex-ministro Geddel Vieira Lima teve uma imagem divulgada na imprensa. Preso desde setembro de 2017 no Complexo da Papuda, o emedebista foi visto durante uma audiência no Supremo Tribunal Federal (STF) em que testemunhas de defesa falaram à Justiça. De uniforme branco e mais magro, a imagem de Geddel beira a melancolia. Quem diria que, após muitos anos, o “nome forte” da Bahia estaria encarcerado e longe dos holofotes eleitorais pela primeira vez...

 

Passou praticamente despercebido que Geddel completou um ano na prisão no último dia 8. Foram raros os registros na própria imprensa de que o emedebista agora é uma sombra do que já foi durante uma eleição. E uma sombra a que poucos querem ter o nome associado. Principalmente quando a foto do bunker de R$ 51 milhões volta à mente dos eleitores. Parece que poucos lembram que até 2016 Geddel era um dos potenciais nomes para disputar o domínio político da Bahia. Naquele tempo, todos queriam ser amigos dele. Hoje, nem o próprio irmão, Lúcio, usa com a mesma força do passado o sobrenome Vieira Lima. Agora é só Lúcio.

 

É uma questão de sobrevivência política, admitamos. Pôr em risco uma reeleição ou eleição por ser associado indiretamente pela crise em torno do bunker não seria tarefa fácil para ninguém. Vide a enorme bancada de deputados estaduais eleita em 2014 pelo MDB e que debandou na última janela partidária. Bruno Reis virou vice-prefeito de Salvador. Alex da Piatã saiu antes do circo pegar fogo. Os demais, Pedro Tavares, Leur Lomanto Jr., Luciano Simões Filho e Hildécio Meireles, praticamente apagaram a luz para tentarem ter sobrevida política e ainda assim arriscam a permanência em cargos eleitorais.

 

Entre aqueles que preferem fingir que as malas de dinheiro não existem está o candidato do MDB ao Palácio de Ondina, João Santana. Quando questionado sobre o tema, ele opta por não tecer comentários e ressalta que está na sigla muito antes de Geddel e Lúcio chegarem ao partido. Apesar de muitos “entretantos” e de estar fingindo não haver um fantasma em torno do partido, a participação dele no processo eleitoral não é tão ruim: tem apertado o candidato a reeleição Rui Costa e deixado algumas cascas de banana no debate.

 

ACM Neto, que foi aliado do MDB nas últimas duas eleições, também manteve distância da radioatividade no partido na Bahia e até mesmo nacionalmente. O prefeito de Salvador não foi candidato ao governo e rechaçou uma aliança com os companheiros de chapa de 2014 e 2016. Caso Geddel não estivesse preso, todavia, o cenário poderia ser completamente diferente.

 

O ex-ministro poderia usar a máquina federal como fez para reeleger João Henrique em 2008 e estaria como candidato ao governo da Bahia, por exemplo. No mínimo numa nova disputa ao Senado, já que, diferente de quatro anos atrás, são duas vagas disponíveis e Geddel seria naturalmente competitivo. No meio do caminho, no entanto, houve um “La Vue”. Um Calero. Um Funaro. Um bunker de R$ 51 milhões. O físico mais magro sintetiza o que se tornou o ex-todo poderoso emedebista. A imponência de outrora parece ter ficado no passado.

 

Este texto integra o comentário desta terça-feira (25) para a RBN Digital, veiculado às 7h e às 12h30, e para as rádios Excelsior, Irecê Líder FM, Clube FM e RB FM.

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