Clã Bolsonaro inicia uso político de ataque e ganho ainda é difícil de prever
Por Fernando Duarte
O dia seguinte ao ataque ao deputado federal Jair Bolsonaro mostra que não há amadores na campanha política do candidato do PSL ao Palácio do Planalto. O atentado à democracia, representado pela facada que atingiu o parlamentar, sinaliza que é preciso ficar atento para que as instituições se preservem e não se deixem contaminar pelo clima beligerante criado, inclusive, pelo próprio Bolsonaro.
Desde o episódio em Juiz de Fora (MG), percebe-se que os aliados do candidato tendem a se aproveitar politicamente do ato. Seria natural, se não houvesse, na teoria, risco de vida. Porém o discurso empregado pelos filhos do capitão mostram que a saúde de Bolsonaro ficou em segundo plano em prol do "projeto de Brasil" defendido por esse grupo.
O candidato do PSL sai ligeiramente fortalecido para a disputa eleitoral pelo fator mártir, mas também pela dificuldade que adversários terão para desidratá-lo. Dificilmente Geraldo Alckmin, principal interessado na queda de Bolsonaro, vai se permitir atacar um enfermo e ser acusado de indelicadeza.
O peso da facada, no entanto, não é fácil de prever. O aproveitamento político iniciado pelo clã Bolsonaro antecipa que a expectativa é vencer no primeiro turno. A possibilidade não é descartada a exatos 30 dias das eleições. Aguardemos os próximos dias e o desenrolar da campanha para entender o quanto esse atentado vai influenciar no pleito de 2018.
