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Vereadora propõe permitir ensino da religião em escolas municipais de Salvador

Por Guilherme Ferreira

Foto: Max Haack/ Ag. Haack/ Bahia Notícias

A vereadora Lorena Brandão (PSC) protocolou na Câmara de Salvador um projeto de lei que pede alterações no Plano Municipal de Educação (PME) da cidade para incluir entre as diretrizes do documento a possibilidade de ensino da religião nas escolas. O projeto foi encaminhado no início do mês e também propõe colocar entre as diretrizes a promoção da educação ambiental e da educação financeira aos estudantes.

 

O texto de Lorena fala em "possibilitar o ensino da religião de livre opção dos educandos ou de seus responsáveis legais com observância do ensino da visão histórica dos fatos". Bispa da Igreja Batista, ela acredita que o ensino de princípios religiosos relacionados à ética pode contribuir com o desenvolvimento das crianças e dos adolescentes. "Acredito que a nossa sociedade precisa sim de valores religiosos", defendeu em entrevista ao Bahia Notícias nesta quarta-feira (29).

 

"Todas as religiões tem princípios em comum. Não estou falando nem de Deus nem de Jesus Cristo. Estou falando de ética, de respeito, respeito à hierarquia, respeito ao próximo, não tomar o que não é seu. Isso tudo é princípio religioso. Está na Bíblia? Sim. Mas isso também não é praticado por alguém do Candomblé? O espírita também não pensa dessa forma?", argumentou a vereadora.

 

Lorena também a afasta a possibilidade de que o projeto serviria como forma de promover a sua religião. "Seria muita hipocrisia dizer que eu quero que todo mundo seja batista. Seria loucura. O que eu penso é em como ajudar para que a educação tenha firmes fundamentos", declarou.

 

Atualmente, o PME cita aspectos relacionados à religião em apenas três momentos do texto: quando o documento fala em promover a educação infantil para todas as crianças "independentemente de sua origem familiar, sexo, classe social, etnia e credo religioso"; ao colocar que questões voltadas para "o respeito às diversidades cultural, religiosa e étnica" devem integrar os currículos escolares; e ao falar da "sensibilização de profissionais de educação" para a "desconstrução do racismo e da intolerância religiosa". Nenhum desses trechos, no entanto, está em destaque entre as diretrizes.

 

O Plano Municipal de Educação em vigor atualmente foi aprovado pela Câmara em junho de 2016, quando ainda não integrava a Casa. A medida não tem previsão de ser apreciada no plenário da Casa.

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