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Em tom crítico, Moro fala em 'captura do estado' por empresários e políticos

Por Cláudia Cardozo / Fernando Duarte

Foto: Joilson César / Ag. Haack / Bahia Notícias

O juiz Sérgio Moro sugeriu, nesta quarta-feira (23), que os Poderes Executivo e Legislativo fizeram pouco para combater a corrupção. “Os demais poderes, executivo e legislativo, têm que fazer a sua parte. E fizeram pouco”, criticou o magistrado, durante o Simpósio Nacional de Combate à Corrupção.

 

“Considerando o nível de revelação dos malfeitos que você teve revelados nos casos já julgados da Operação Lava Jato, é o que chamamos de captura do estado. O estado foi capturado para fins privados: benefícios de empresários e de políticos inescrupulosos. Diante do grau e da magnitude desse fenômeno, a resposta da classe política foi absurdamente insuficiente”, completou Moro.

 

O magistrado, no entanto, reconheceu avanços, como o caso da Lei Geral das Estatais, tratado como “um avanço em matéria de governança no âmbito da administração pública indireta”. “É uma boa lei, mas é insuficiente diante da magnitude do problema”, afirmou o juiz federal, citando que o processo deveria ser estendido à administração pública direta.

 

TOQUE DE MIDAS

Moro criticou também a minoração do crime de corrupção, tratado pelos políticos como caixa 2 de campanha. “Caixa 2 é um crime menos grave do que corrupção, vamos admitir. Agora, anistiar a corrupção sob pretexto de se anistiar caixa 2...”, divagou o juiz.

 

Segundo ele, casos já julgados mesmo em segunda instância mostram que “vantagem indevida foi paga mediante doações eleitorais, oficiais”. “O fato de você fazer a doação oficial não quer dizer que há um toque de Midas, que torna o dinheiro limpo ou o acervo de corrupção inexistente”, reclamou.

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