Taxa de homicídios de negros na Bahia é 3 vezes superior à de não negros
Por Renata Farias
O Atlas da Violência 2018 reforçou um dado já conhecido pela população brasileira: a concentração de homicídios na população negra do país é consideravelmente superior à de não negros. Em 2016, a taxa de homicídios de negros no Brasil foi de 40,2 a cada 100 mil habitantes, enquanto o índice de não negros é de 16, na mesma proporção. Apesar de não ser o estado com maior discrepância, a Bahia registra uma diferença superior à observada nacionalmente: são 52,4 negros mortos contra 15,6 não negros, a cada 100 mil habitantes. De acordo com o levantamento, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), os maiores índices de homicídios de negros foram registrados em Sergipe (79/100 mil) e Rio Grande do Norte (70,5/100 mil). A Bahia está atrás ainda de Alagoas (69,7/100 mil), Pernambuco (60,4/100 mil), Amapá (59,4/100 mil), Pará (57,7/100 mil) e Goiás (55,5/100 mil). "O caso de Alagoas é especialmente interessante, pois o estado teve a terceira maior taxa de homicídios de negros (69,7/100 mil) e a menor taxa de homicídios de não negros do Brasil (4,1/100 mil). Em uma aproximação possível, é como se os não negros alagoanos vivessem nos Estados Unidos, que em 2016 registrou uma taxa de 5,3 homicídios para cada 100 mil habitantes, e os negros alagoanos vivessem em El Salvador, cuja taxa de homicídios alcançou 60,1 por 100 mil habitantes em 2017", compara o texto. O documento mostra ainda a variação na taxa de homicídios. Na Bahia, os assassinatos de negros cresceram 104,4%, em um período de 10 anos (2006-2016), enquanto o índice entre não negros aumentou 116,9%.
