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Olho por olho: numa intensa batalha de CPIs, todos tendem a ficar cegos

Por Fernando Duarte

Foto: Max Haack / Ag. Haack / Bahia Notícias

A Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) será palco, nos próximos dias, de uma intensa batalha entre governo e oposição sobre verdades absolutas e mentiras repetidas milhares de vezes que se tornam realidade. Enquanto os adversários de Rui Costa (PT) comemoram ter obtido 21 assinaturas para o requerimento de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre as obras da arena Fonte Nova, o governo contra-atacou com um colegiado para investigar as obras da prefeitura de Salvador na região da orla da Barra. É a lógica da lei de talião, um dos primeiros códigos penais registrados na história: olho por olho, dente por dente. Tal postura dos parlamentares mostra o nível de maturidade política que somos obrigados a conviver no país. O contrato de Parceria Público-Privada entre governo da Bahia e Fonte Nova Participações não é novo. Desde que foi firmado é alvo de questionamentos, inclusive no âmbito do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Só de inaugurada, a Arena Fonte Nova completa cinco anos em abril e a letargia da oposição sempre foi flagrante quanto ao assunto. A Operação Cartão Vermelho, no entanto, reativou a esperança da minoria sangrar Rui Costa na Assembleia. No campo político, uma CPI pode até ter consequências. No campo prático, ela será praticamente inócua. E, no caso da Fonte Nova, há pelo menos elementos mais concretos para que os deputados acompanhem as investigações da Polícia Federal – o colegiado estará fadado a esse papel, inclusive. Já na resposta do governo, com a CPI das obras da Barra, é flagrante da mesma forma o oportunismo do grupo. Apesar de citada na delação de executivos da Odebrecht, formalmente não houve avanços na investigação do caso, ainda que opositores ao prefeito ACM Neto tentem “sambar” em cima da citação. Os únicos elementos que vieram a público foram fruto de uma investigação inicialmente irregular conduzida pela Secretaria de Segurança Pública da Bahia sem a anuência da Justiça Federal, que manteve a competência para relacionar as obras da capital e Odebrecht com o Ministério Público Federal.  Como disse o presidente da Assembleia, Angelo Coronel, que além de “juiz” é personagem de destaque, pois é candidato a ser candidato ao Senado, duas CPIs simultâneas desgastam a Casa. Acrescentaria que também não ajuda com a imagem dos deputados envolvidos e, com base no “olho por olho”, é capaz de deixar todos cegos para problemas ainda maiores. Este texto integra o comentário desta terça-feira (6) para a RBN Digital, veiculado às 7h e às 12h30, e para as rádios Excelsior FM, Clube FM e Irecê Líder FM.

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