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Marcio Mello pede ‘cuidado’ ao cobrar direitos autorais: ‘Compositor fica exposto’

Por Francis Juliano / Rebeca Menezes

Foto: Francis Juliano / Bahia Notícias

A polêmica sobre o não pagamento de direitos autorais pela prefeitura tem feito com que muitos artistas se posicionem sobre a importância do repasse correto ao Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad). Para o compositor Marcio Mello, contudo, é necessário cautela ao se discutir essa questão. Mello se apresentou na noite deste sábado (10) no Largo Pedro Archanjo com sua nova turnê, e cantou sucessos como “Nobre Vagabundo” e “Toneladas de Amor”– que ganharam o país na voz de Daniela Mercury. “Direito autoral é uma coisa que tem que ser paga. E com certeza vai ser pago. Já está até ajuizado. Essa é uma coisa que compete muito mais ao Ecad do que à gente. Porque o Ecad é o órgão que está aí para trabalhar para o compositor, ele é contratado pelos artistas, pelas associações. Isso se resolve depois”, minimizou. Questionado se o problema judicial deve fazer com que gestores tenham um olhar mais atento à questão, o compositor alertou que essa discussão pode acabar exatamente prejudicando a classe e, por isso, é preciso cobrar de uma forma responsável. “Eu acho que esse olhar até já tem, o negócio é que é difícil de pagar mesmo. Porque não é só ele [gestor público]. Empresa privada também não paga, cinema não paga, teatro é difícil de pagar. Existe uma cultura de não pagar. Compositor sofre com isso. A Rede Globo passou 10 anos pagando em juízo. Se leva tempo mesmo. A MTV não pagava direito autoral. Uma hora tem que pagar. Eu acho que a gente tem que ter cuidado para não ficar uma coisa muito soberba. Eu não gosto da ideia de se falar isso na boca do Carnaval, porque acaba afetando, porque o compositor também precisa tocar e fica exposto. Às vezes vai fazer um show privado e o cara não quer pagar direito autoral, mas quer pagar o cachê. Às vezes até o próprio compositor é cúmplice também. É um processo muito lento. Acho que se faz muito estardalhaço. Não que não seja necessário fazer, que seja uma coisa errada cobrar. A forma que se cobra é que eu acho meio louco. Porque senão vira uma briga”, avaliou.

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