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Uma latinha e um batuque fazem um Carnaval

Por Fernando Duarte

Foto: Reprodução/ Meon

O cantor Luiz Caldas afirmou nesta terça-feira (30) que o Carnaval de Salvador se faz, inclusive, sem os artistas. Segundo ele, basta uma latinha e a animação típica do folião para se ter uma festa. O pai da Axé Music não está errado – mas está longe de estar certo. O modelo do Carnaval de Salvador passa por um profundo desgaste e, nos últimos anos, ficou evidente a necessidade de passar por ajustes. Há algum tempo circulam rumores de que dois camarotes estariam analisando a ideia de transferir a estrutura para a Arena Fonte Nova, dando uma destinação multiuso ao espaço como foi proposto. Agora, com a realização do Réveillon na Arena Cidade da Música, na Boca do Rio, o próprio ACM Neto sinalizou que empresas estariam interessadas em realizar atividades como o Carnaval na área. São horizontes de devaneios, alguns com pés na realidade e outros nem tanto. Tal qual a proposta da Associação de Moradores e Amigos da Barra (AmaBarra). Em entrevista ao Bahia Notícias, uma das fundadoras do grupo propôs a transferência da folia para a região do CIA, onde não haveria impacto para a população do entorno – como se não houvesse pessoas morando no entorno do CIA, inclusive. Chega a ser folclórico imaginar que o Carnaval funcionaria bem tão longe das ruas. Já é difícil pensar a festa soteropolitana, notadamente uma das maiores do mundo, funcionando no formato exclusivo de camarotes, imagine numa região distante dos centros urbanos. Lembrete: o Carnaval é de rua. As mudanças da Folia de Momo de Salvador são cada vez mais imprescindíveis. Governo da Bahia e prefeitura de Salvador, inclusive, têm tentado reinventar a festa com o patrocínio de atrações sem cordas, o que atrai os foliões de volta às ruas e quase põe fim aos tradicionais blocos da festa. O Fuzuê e o Furdunço são outros dois exemplos do esforço para tornar o Carnaval de Salvador ainda mais atrativo para a pipoca. Seja com camarote, com mudança de lugar, com redução dos dias de folia, o que importa é o que Luiz Caldas disse: basta uma latinha para fazer um batuque e se tem um Carnaval. Este texto integra o comentário desta terça-feira (31) para a RBN Digital, veiculado às 7h e às 12h30, e para as rádios Excelsior, Irecê Líder FM e Clube FM.

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