Última Estação: Segunda fase da operação visa impedir expansão da BDM no país
Por Estela Marques / Luana Ribeiro
A segunda fase da Operação Última Estação, deflagrada na manhã desta terça-feira (12), cumpriu oito dos 11 mandados de prisão emitidos, restando três pessoas que já são consideradas foragidas pela Justiça. O balanço foi apresentado na sede da Superintendência Regional da Polícia Federal, em Água de Meninos. A operação é desdobramento da ação que tinha como alvo a facção criminosa Bonde do Maluco, liderada pelo traficante Marcelo Batista dos Santos, o “Marreno”, morto em agosto. “Após a primeira fase, continuamos investigando quem assumiu a liderança da facção e identificamos que o modus operandi era usado pelos demais integrantes. Depois de adquirir patrimônio, saiam da Bahia e expandia para outros estados, tanto que hoje deflagramos operação em outros estados. Conseguimos identificar que o então líder da facção utilizava mesma forma de lavagem de dinheiro que o Marreno. Foi identificado diversas identidades falsas, contratos de compra e venda, escritura pública em nome falso”, explicou o delegado da Polícia Federal Fábio Marques. O uso de documentos falsos é a principal forma de lavar dinheiro usada pela quadrilha. Os integrantes passam a viver com outros nomes, abrindo contas bancárias e adquirindo imóveis e veículos. Com a apuração, foi identificado que o núcleo que atua em Porto Seguro recebe lucros e dividendos de empresas para maquiar declarações de imposto de renda. “Eles criam identidade falsa, montam empresa, fazem dinheiro circular e assim tentam justificar obtenção de dinheiro ilícito”. Há indícios de que exista um fornecedor de identidade falsas para atender à facção, porque as investigações sempre resultam no mesmo lugar de origem de documentos falsos. “Os documentos são originais, embora falsificados”. Além dos mandados de prisão nas cidades de Salvador (nos bairros de São Cristóvão e na Liberdade), Porto Seguro, Alagoinhas, Dias D’Ávila, Camaçari e Serrinha, na Bahia; além de Aracajú, em Sergipe; Maceió, em Alagoas; e Goiânia, em Goiás, também foram cumpridas ordens judiciais para o bloqueio de contas de 22 investigados e sequestro de bens e veículos. O substituto de Marreno já tinha sido preso durante as investigações e o mandado de prisão existente contra ele foi cumprido no presídio. Entre os outros presos, há dois integrantes do grupo que foram presos durante investigação, e membros da facção que atuavam na movimentação da droga. “Foi feito flagrante de um deles com receptação de carro roubado”, afirmou o delegado. Os investigados responderão pelos crimes de associação para o tráfico, receptação, lavagem de dinheiro e associação criminosa em decorrência dos outros crimes. Durante a investigação foram apreendidos 5 fuzis. “A facção vem se expandido. Ela foi criada de dentro do presídio e vem se expandido. Alguns integrantes, quando passam a ter status de destaque na facção, às vezes migram para outro estado, inicialmente Sergipe. A exemplo de Marreno, que quando assumiu a liderança, já estava em Maceió, com imóveis de alto padrão. O líder originário da facção hoje está no Paraguai, foragido da polícia”, detalhou Marques. De acordo com o delegado, quando os participantes da quadrilha alcançam a liderança, passam a não mais atuar diretamente. Ainda segundo a PF, que realizou a operação em conjunto com as polícias Civil e Militar, a facção já é conhecida nacionalmente e o objetivo era barrar sua expansão pelo Brasil.
