O curioso caso de Antônio Imbassahy, o ministro que quer ser senador
Por Fernando Duarte
O atual titular da Secretaria de Governo, Antônio Imbassahy, subiu a Esplanada dos Ministérios com a expectativa de ser catapultado a uma vaga na chapa majoritária da oposição ao governador Rui Costa em 2018. Até o momento, não encontrou forças para tal intento. Com uma trajetória política extensa, Imbassahy foi prefeito de Salvador pelo antigo PFL, brigou com os padrinhos políticos e migrou para o PSDB, onde conquistou dois mandatos na Câmara dos Deputados. Chegou a presidir o partido na Bahia, porém perdeu o controle da legenda para adversários internos, os também deputados federais Jutahy Magalhães Jr. e João Gualberto. Até muito recentemente, era um dos articuladores do senador Aécio Neves na Bahia, enquanto Jutahy era do lado dos tucanos ligados ao senador José Serra, contraposição umbilical ao mineiro dentro da sigla. Foi alçado a interlocutor do presidente Michel Temer junto ao Congresso Nacional por Aécio, apesar de ter sido cozinhado por um tempo após a queda do também baiano Geddel Vieira Lima. Depois dos escândalos do grão-tucano, todavia, submergiu para evitar falar do tema. Manteve a atuação nos bastidores – que não foram tão às escondidas assim, como no dia da votação da denúncia contra Temer, quando circulava com desenvoltura com uma lista de emendas no plenário da Câmara tentando convencer os companheiros a dar um voto de confiança para o presidente. Não conseguiu segurar metade dos deputados do próprio PSDB, que votou contra o atual chefe do Executivo federal. Apesar do status de ministro – e de ter se tornado um aliado próximo a Temer –, Imbassahy está longe de ser um poderoso integrante do clã que domina o Palácio do Planalto. Segundo informações que circularam nos bastidores, até tentou se aproximar do PMDB, partido de Temer, porém teve qualquer hipótese de filiação rechaçada pelo grupo que controla a legenda na Bahia. Foi mais um esforço dele para conseguir se gabaritar para disputar a chapa majoritária que deve ser capitaneada pelo prefeito ACM Neto no próximo ano. Dificilmente será indicado pelo PSDB local para a pleitear a cadeira. Apenas um milagre o colocaria no PMDB. Sobrariam outras tantas legendas, sem tanta envergadura política para uma disputa. Talvez, com muita boa vontade, ACM Neto esqueceria que Imbassahy retesou até onde pôde o PSDB pensando em sair candidato a prefeito em 2012 contra o democrata. Ainda assim, o ministro está mais perto de ser mais um curioso caso daqueles que quase ganharam uma vaga na majoritária. No próximo ano, essa lista deve ser ainda maior. Este texto integra o comentário desta terça-feira (15) para a RBN Digital, veiculado às 7h e às 12h30, e para as rádios Irecê Líder FM e Clube FM.
