Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência em nosso site e aprimorar a oferta de anúncios para você. Visite nossa Política de Cookies para saber mais. Ao clicar em "aceitar" você concorda com o uso que fazemos dos cookies

Marca Bahia Notícias
Você está em:
/
Notícia
/
Política

Notícia

Para além da piada, ovada em Doria abre precedente ruim para protestos

Por Fernando Duarte

Foto: Valdemiro Lopes/ CMS

Os ovos arremessados contra o prefeito de São Paulo, João Doria Jr. (PSDB), foram icônicos. Viraram piadas e fizeram rir boa parte da esquerda de Salvador – e do Brasil – após o tucano receber o título de “soterovopolitano”. Os adversários de ACM Neto (DEM) ganharam muitos ângulos para provocar o prefeito de Salvador, com “30 ovos por R$ 10” do carro do ovo. Nas redes sociais, além dos vídeos, muitos memes e gifs, encaminhados, inclusive, por militantes da autodenominada “esquerda” – que ultimamente se tornou mais uma direita travestida com ideais marxistas. Porém isso renderia outros comentários. A grande questão a partir da ovada de Doria não foi a ovada em si. Mas o perigoso precedente de acirramento dos ânimos que pode cindir ainda mais o Brasil e a Bahia no próximo período eleitoral, em 2018, quando Doria e ACM Neto são citados como eventuais candidatos. Desde a eleição de 2014, é recorrente na imprensa essa polaridade entre “coxinhas” e “petralhas”. Daquele processo não superado na última eleição nacional, o Brasil registrou uma crise política que parece não ter fim, o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) e agora Michel Temer, um presidente de legitimidade questionável e denunciado por corrupção passiva pela Procuradoria-Geral da República. Diante do quadro de instabilidade cada vez mais forte, não é necessário ser pessimista para esperar uma eleição tensa e repleta de ofensas por qualquer que seja interlocutor nas urnas. Doria, já reconhecido como “anti-Lula” – ou “anti-Cristo”, a depender do nível de messianismo do eleitor -, é apenas um personagem cujo potencial bélico não foi inteiramente testado e pode facilmente evoluir para um Donald Trump brasileiro, com menos bilhões e menos “culhão” para falar atrocidades em público, como fez em 1987 ao propor transformar a seca do Nordeste em atração turística. Ganhou espaço para vociferar acusações – e foi seguido por ACM Neto – pelo simples fato de receber um ovo sobre si. A mobilização arremessou mais que um perdigoto e recebeu um discurso fervoroso contra a “agressão”. Abriu precedente para Doria e ACM Neto e tantos outros críticos dos “baderneiros”, que assumiram tal posição ainda que não o sejam. O ovo em Doria vai terminar como o carro do ovo que circula na capital baiana: em pouco tempo vai vender farinha, laranja e qualquer coisa que possa fazer um duelo de classes, algo desnecessário no atual contexto brasileiro. Este texto integra o comentário desta quarta-feira (9) para a RBN Digital, veiculado às 7h e às 12h30, e para as rádios Irecê Líder FM e Clube FM.

Compartilhar