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Otto tensionou até o limite na votação de denúncia e perdeu a queda de braços

Por Fernando Duarte

Foto: Paulo Victor Nadal/ Bahia Notícias

Nas coxias da Câmara dos Deputados, o presidente do PSD da Bahia, senador Otto Alencar, se tornou alvo de ironias e piadas após a bancada da sigla na Casa votar a favor do prosseguimento da denúncia contra o presidente Michel Temer, na última quarta-feira (2). Otto segurou a decisão até poucas horas antes da votação, sob a expectativa do governo liberar o empréstimo de R$ 600 milhões do Banco do Brasil para a Bahia. Como o Palácio do Planalto preferiu pagar para ver, o presidente estadual do PSD acabou frustrado e vetou que os liderados dele na Câmara seguissem a orientação nacional do partido para votar com o relator da denúncia e optar pelo arquivamento do pedido de autorização para investigar Temer. A justificativa que veio a público foi republicana: o PSD da Bahia não se renderia ao “toma lá, dá cá” do governo e, segundo os próprios envolvidos, iria votar contra Temer, independente do empréstimo. Não foi bem assim que aconteceu. Otto retesou até onde pode, mas bateu o pé ao supostamente ouvir como resposta que o DEM estaria colocando dificuldades para a assinatura do contrato de empréstimo. A sua situação ficou mais complicada porque, segundo presentes na reunião do governador Rui Costa com a base aliada na Câmara, dois dias antes da votação, Otto foi um dos defensores que o governo liberasse a bancada para, eventualmente, se abster. Queria mostrar boa vontade para o governo federal na Câmara e manter o posicionamento contra o mesmo governo no Senado, uma estratégia “policial bonzinho e malvado”. Assim, ficaria com crédito suficiente para barganhas futuras – ainda que por terceiros. Foi a partir de interlocutores como Otto que Rui cometeu a derrapada de exonerar Josias Gomes (PT) e Fernando Torres (PSD) do secretariado. Com a repercussão negativa, a postura foi alterada. Ainda assim, o senador insistiu na tese e durante a reunião com os deputados, foi mantido, momentaneamente, o fechamento de questão do PSD nacional - o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, convidou contrários ao governo a deixar a sigla. No entanto, ao ver que o empréstimo não sairia, Otto decidiu ir para o embate e orientou os cinco deputados baianos a votarem contra Temer. Foi a vez dele pagar pra ver. E com a perspectiva de que o governo federal vai liberar o empréstimo do BB para o governo da Bahia, a sua postura foi considerada arisca. Segundo os deputados que ironizavam a postura de Otto, as razões são sanguíneas. Parcela expressiva dos recursos desse empréstimo ficará sob a guarida da Secretaria Estadual de Infraestrutura, cuja atual chefe, Marcus Cavalcanti, é afilhado do senador e não tem pretensões eleitorais. O capital político dos investimentos, contudo, teria outro destino: Otto Alencar Filho, herdeiro político do senador e candidato a deputado federal em 2018. Razão pela qual não apenas o DEM tem interesse em atrasar a liberação do financiamento. Para Alencar Filho ser eleito, alguém teria que perder a vaga em Brasília – o que preocupa qualquer partido. O quadro político, como se vê, não é exatamente como pintam. Este texto integra o comentário desta segunda-feira (7) para a RBN Digital, veiculado às 7h e às 12h30, e para as rádios Irecê Líder FM e Clube FM.

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