Fora de ano eleitoral, Dois de Julho é morno e sem grandes polêmicas políticas
Por Fernando Duarte
Se alguém esperava um Dois de Julho de efervescência política na Bahia, se decepcionou em 2017. Porém nada muito distante das expectativas de quem acompanha o cenário local. Sem eleições, os anos ímpares são mornos para grandes polêmicas entre os políticos. A única rusga registrada pelo Bahia Notícias, por exemplo, foi uma resposta do prefeito de Salvador, ACM Neto, ao ex-governador Jaques Wagner, a quem acusou de ter “incontinência verbal”. Fora essa faísca, nada muito contundente. Vale destacar, no entanto, que os movimentos sindicais cumpriram a promessa de tentar acuar ACM Neto. Os relatos apontam que, a cada trecho do cortejo do Dois de Julho, o prefeito de Salvador ouviu coros de golpista, abafados por contra-gritos da claque do atual ocupante do Palácio Thomé de Souza. O resultado foi uma reação tardia, em tom de provocação aos adversários, quando já não havia mais tempo para embates. Rui Costa foi discreto e evitou polêmicas em público, mantendo o tom que adotou há algum tempo. A crise com classe política ficou em Brasília. Passou longe das terras baianas. Já a festa cívica foi celebrada por diversos atores que aproveitam o trecho da Lapinha ao Terreiro de Jesus de palanque. Mas também por pessoas comuns, que usam a data magna da Bahia para exercer o direito à cidadania. Como bem lembrou o autor Laurentino Gomes, é uma pena que, por questões de preconceito regional, o Dois de Julho não seja celebrado no país como a verdadeira independência brasileira. “Sem o Dois de Julho e a luta dos baianos pela independência em 1823, o Brasil de hoje não existiria”, disse ele em entrevista a rádio Metrópole. A batalha de 2 de julho de 1823 está longe de encerrar. O repórter Francis Juliano, inclusive, registrou um momento interessante na cobertura de ontem. Enquanto o ator George Washington, do Bando de Teatro Olodum, falava que queria aproveitar o Dois de Julho para uma reflexão sobre que país esperar para a filha dele, a garotinha chamava, insistentemente, pelo “papai”. E por mais que o sistema político insista em diminuir a independência do povo, é pelas crianças, a exemplo da filha de George Washington, que não se deve parar de lutar. Este trecho integra o comentário veiculado às 7h na RBN Digital, com reprise às 12h30.
