'Manifestações dão voz à luta pela saída do presidente', defende Alice Portugal
Por Júlia Vigné / Ailma Teixeira
Presente em mais uma manifestação contra o governo de Michel Temer (PMDB), Alice Portugal acredita que essas mobilizações são a "alma" da luta popular contra o governo federal. Os protestos, que ocorrem nesta sexta (30), englobam a segunda greve geral, realizada em cidades de todo o país neste ano. Em Salvador, os atos começaram no turno da manhã, na região do Iguatemi. Agora, os manifestantes saem em caminhada pelas ruas do Campo Grande. "Eu espero que ela [a greve geral] tenha dupla função: alertar quanto às reformas, porque agora estão organizando a votação da Previdência na Câmara e o plenário do Senado está pronto para votar a reforma trabalhista, e ao mesmo tempo essas manifestações dão voz à luta pela saída do presidente", afirma a parlamentar baiana. A expectativa de Alice é de que a Câmara aceite a denúncia feita pela Procuradoria-Geral da República (PGR). São necessários 342 votos para que o Supremo Tribunal Federal (STF) instaure um inquérito contra o presidente, até então acusado de corrupção passiva em decorrência dos fatos apresentados nas delações da JBS. Quanto à insinuação de que a escolha da subprocuradora Raquel Dodge foi escolhida para assumir a PGR por discordar da posição de enfrentamento tomada por Rodrigo Janot, a deputada federal prefere acreditar que ela se portará de maneira justa na instituição. "Essa é a observação pública, de que ela é ligada a ele [Temer], mas eu espero que a senhora, se for sabatina e aprovada no Senado, honre o juramento de procuradora-geral e seja isenta. Porque é preciso que quem se envolveu com algo ilícito seja punido e é preciso que a Procuradoria e o Poder Judiciários sejam isentos", ressalta. A previsão já anunciada pelo Senado é de que a sabatina de Raquel ocorra no início do mês de julho, antes do recesso parlamentar. Se aprovada, ela assume a PGR em setembro.
