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Wyllys acusa Conselho de Ética de homofobia após absolvição de Eduardo ‘em 10 minutos’

Por Júlia Vigné

Foto: Wilson Dias / Agência Brasil

O deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) criticou a absolvição dada pelo Conselho de Ética da Câmara dos Deputados ao também deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSC-RJ). Bolsonaro foi acusado pelo PT de cuspir em Jean na sessão que julgou o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Jean desaprovou o trâmite da representação que, de acordo com ele, foi "arquivado em dez minutos, sem processo, sem advogado, sem testemunhas, sem debate, sem punição, sem manchetes nos jornais, sem reportagem no noticiário". "Eu passei um ano inteiro no Conselho de Ética. Ameaçaram cassar meu mandato. Depois, falaram em suspensão de quatro meses, punição mais grave que a sofreu um deputado envolvido em um gravíssimo esquema de corrupção, o único na história do parlamento que foi suspenso. Tive que apresentar testemunhas da violência sofrida. Tive que depor e suportar as provocações dos deputados das bancadas da bala e da Bíblia. Tive que conseguir advogados. Foi um ano inteiro com meu mandato ameaçado pela homofobia institucional da Câmara dos Deputados", discursou. Jean utilizou o Facebook para reprovar o arquivamento de uma das representações. Uma outra ação, contra a suposta edição no vídeo em que Jean aparece cuspindo no deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ), ainda não foi avaliada pela casa. Jean afirmou que o Conselho o perseguiu. "Eles falavam que não era homofobia. Era o cuspe e apenas o cuspe, mais nada. E Papai Noel existe e os bebês vêm de Paris, trazidos por uma cegonha, não é? (...) O único que vai para o Conselho de Ética é o viado da Câmara. O meu crime foi ser homossexual numa Casa de 'homens de bem'". (...) O verdadeiro motivo do processo contra mim foi o fato de eu ser gay! Não tem outra explicação para a punição contra mim e o arquivamento sumário da representação contra ele, mas isso, tão óbvio e claro, ninguém quer assumir. Significaria ter que se olhar no espelho e não gostar da imagem que ele reflete. Então, melhor fingir cegueira e continuar tocando a vida. Porque no Brasil não tem homofobia, não é?", escreveu o deputado.

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