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Temer finge que crise inexiste e a caravana passa

Por Fernando Duarte

Foto: Lula Marques/ Agência PT

“Os cães ladram e a caravana passa”. Sob esse dito popular de origem árabe, a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado aprovou, nesta terça-feira (6), a projeto de reforma trabalhista já aprovado na Câmara dos Deputados. O placar não chega a ser apertado, porém sinaliza que a classe política – em especial o governo – tenta fingir que não há um momento delicado no país. É uma estratégia de marketing crucial para que Michel Temer se mantenha no poder. Ainda mais no mesmo dia em que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) volta a discutir o futuro político do atual ocupante do Palácio do Planalto. A República pode estar se esfacelando, porém o discurso oficial deve ser de que nada mudou, as atividades e votações continuam e o Brasil não pode parar. Um discurso típico de quem segue apático e aposta num otimismo inexistente para continuar caminhando. E deve ficar restrito ao plano das ideias, pelo menos no atual contexto. Não há vivalma no Congresso Nacional ou fora dele que consiga prever como estará o Brasil nos dias porvir. A reforma trabalhista, inicialmente prevista pelo governo para terminar de ser votada em maio, engatinha no Senado. A reforma da Previdência, carro-chefe do “novo momento econômico”, dificilmente será apreciada na Câmara enquanto a crise – inexistente na avaliação de governistas – perdurar. O governo de Temer segue aos frangalhos e, a cada ex-auxiliar preso, desmonta qualquer imagem ética que alguém divagou existir. Rodrigo Rocha Loures e Henrique Eduardo Alves, para restringir aos dois últimos, fazem o “bafo” da perseguição à corrupção bater à porta palaciana de Brasília. Porém, como os árabes diriam, a caravana passa. Esse tema integra o comentário que foi ao ar na RBN Digital às 07h, com reprise às 12h30.

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