Vereadora evita polêmica e fala de experiência na África para justificar ‘Dia do Turbante’
Por Guilherme Ferreira
A vereadora Rogéria Santos (PRB) compareceu à sessão da Câmara nesta terça-feira (7) vestindo um turbante predominantemente azul e não foi por mero acaso a escolha pelo acessório. A estreante no legislativo de Salvador fala com orgulho sobre o adereço e é a autora de um projeto que estabelece o dia 20 de novembro como Dia Municipal do Turbante - data já marcada pelo Dia da Consciência Negra. A proposta chegou ao legislativo na última quinta-feira (2), cerca de um mês depois que uma polêmica envolvendo o adereço repercutiu nas redes sociais. Uma jovem paranaense relatou em seu Facebook um caso em que ela foi repreendida e acusada de cometer apropriação cultural por ser branca e estar usando turbante (veja mais). Também branca, Rogéria evita comentar o caso e diz que não acompanhou as discussões que a postagem provocou. Em entrevista ao Bahia Notícias, a vereadora lembrou sua experiência de trabalho na África para defender o projeto do Dia Municipal do Turbante. "Não acompanhei de perto essa polêmica. O que eu posso dizer é do meu histórico. Eu trabalhei no continente africano por 14 anos, em Moçambique, em Angola, em períodos de guerra", afirma a vereadora, que morou na África entre 1994 e 2008. "Eu tinha o cabelo quase na cintura e não tinha como cuidar. Qual era o meu recurso? Cortei o cabelo curto. Eu usava turbante e me habituei", explica. O projeto enviado a Câmara compartilha a tese de que o turbante chegou ao Brasil por escravas, ainda com o nome de torço ou Ojá, e que ele teria se popularizado na Bahia, especialmente pelas baianas vendedoras de acarajé. "O turbante carrega vários significados, um deles é a ancestralidade, pois antigamente era utilizado por necessidade e atualmente muitos o usam fazendo um resgate histórico, gerando uma representatividade da identidade negra, resultando numa forma de ato político pela estética", diz o texto. Ao Bahia Notícias, Rogéria também comentou que participa de ações sociais em hospitais que recebem mulheres vítimas de câncer. "Quando a gente ensina ela a fazer um turbante e a gente mostra pra ela que ela pode estar linda independente da cor dela...não tem como parar", disse. Rogéria é responsável por enviar à Câmara outras propostas relacionadas à cultura negra. Ela protocolou no início do mês um projeto de lei que sugere a regulamentação da profissão de trançadeira e também enviou um requerimento para comemorar o Dia Internacional da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha - matéria aprovada no dia 8 de fevereiro.
