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'Nos encontramos frente a uma manobra criminal', afirma ex-presidente da Argentina

Foto: Presidência da Argentina
Em decorrência do vazamento de uma conversa telefônica privada com o então chefe de inteligência, Oscar Parrilli, a ex-presidente argentina Cristina Kirchner declarou à Justiça que é vítima de uma "manobra de caráter criminoso". "Nos encontramos frente a uma manobra de caráter criminal, que revela de modo mais fidedigno o componente mafioso que vincula setores de poder político com alguns segmentos da justiça federal, todo eles com participação, articulação e proteção dos meios hegemônicos de comunicação", acusou Kirchner, em documento por escrito, apresentado aos tribunais da província de Santa Cruz, na Argentina. De acordo com a AFP, a ex-presidente denunciou o vazamento da conversa que teve no dia 11 de julho de 2016 com Parrilli e afirmou que desde que deixou o governo argentino, em dezembro de 2015, ela se tornou "objeto de uma feroz campanha de perseguição política, midiática e judicial". No texto, Kirchner pontuou que o atual presidente do país, Maurício Macri, foi processado por escutas ilegais, entre outros crimes, quando foi prefeito de Buenos Aires. "Só após a mudança de governo e à mercê da existência do pacto político, judicial e midiático, o engenheiro Macri continua suspenso pela justiça federal e no dia seguinte a assumiu a presidência da nação, apesar de ter ficado plenamente provada a existência do sistema de escutas ilegais", acrescentou. A escuta no telefone de Parrilli foi executada por ordem do juiz que o investiga por, supostamente, não ter feito o que poderia para deter um doutrinador famoso. Na conversa, Kirchner diz a Parrilli que "é preciso buscar todas as causas que o denunciamos". A ex-presidente fazia referência ao poderoso espião da época, Jaime Stiuso, que havia feito acusações ao governo. Depois da divulgação dessa conversa, o procurador Guillermo Marijuan abriu uma investigação por "abuso de autoridade" contra Kirchner. Em outro trecho, a argentina diz: "Tem que matar esse cara". Embora ela tenha justificado que essa seja apenas uma expressão coloquial usada para dizer que era preciso refutá-lo com argumentos sólidos, o procurador interpretou a frase no sentido literal e declarou que avaliava denunciá-la por tentativa de assassinato. O advogado de Stiuso também afirmou que seu cliente se sentiu "amaçado" com a afirmação.

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