'Mesma agenda', diz dirigente da Fetrab, sobre posição de Rui quanto à previdência
Por Luana Ribeiro
As declarações do governador Rui Costa em encontro com jornalistas realizado nesta quarta-feira (21) repercutiram negativamente junto à Federação dos Trabalhadores Públicos do Estado da Bahia (Fetrab). Entre as projeções feitas por Rui, está a expectativa de não haver reajuste salarial em 2017 (saiba mais) e eventual necessidade de aumentar a contribuição previdenciária dos servidores para 14% - atualmente, esse índice é de 12%. A elevação da contribuição vai depender do que for decidido pela gestão Michel Temer como contrapartida da renegociação das dívidas dos Estados, cujo texto foi aprovado sem exigências indicadas (no projeto, foi estabelecido 14% para servidores e 28% para os Estados), mas o presidente já deixou claro que elas serão cobradas. A proposta da reforma da Previdência, por sua vez, prevê que Estados e Municípios terão a competência para determinar a tributação (entenda). “Achamos o seguinte: o governador está procedendo com a mesma agenda indicada pelo governo neoliberal: é reforma da Previdência, novo repasse inflacionário, o reajuste de 2016 foi zero. E a gente vem acumulando perdas salariais: atualmente 20% do funcionalismo público tem vencimento básico abaixo do salário mínimo. E em janeiro, isso vai aumentar (com o aumento do mínimo, que deve alcançar R$ 945,80)”, aponta Marinalva Nunes, presidente da Fetrab. Rui já sinalizou que deve seguir o acordado com o governo. “O governador quer condicionar só dar aval para empréstimo internacional à obrigatoriedade dos estados elevarem para 14%, mesmo que parcelado”, disse, citando o exemplo do Ceará, que escalonou o aumento (1 ponto percentual por ano). "Isso nós devemos mexer, porque senão vai faltar dinheiro para a Previdência. Só nesses 60 dias que comenta-se a mudança da aposentadoria entrou na Secretaria de Educação 3 mil pedidos de professor para aposentar". Os servidores estaduais já se movimentam diante das prováveis alterações e se reúnem em plenária na próxima terça-feira (27), às 14h, na Associação dos Funcionários Públicos do Estado da Bahia (AFPEB), localizada na Rua Carlos Gomes, nº 95. Para Marinalva, o governador está analisando a questão da Previdência com “o olhar” da Presidência da República, com exceção da idade mínima (que Rui considerou “exagerada”). “Queremos discutir com o olhar de quem é dono da Previdência, que é o trabalhador. Nós estamos no caminho contrário do pensamento deles”, avalia a dirigente sindical, que propõe que sejam onerados “os grandes empresários que sonegam o repasse de seus empregados”. Segundo Marinalva, os sindicatos pretendem consultar pesquisadores que estudem a Previdência Social no Brasil. “Vamos nos armar de instrumento, de argumentação, para o combate que vamos travar no primeiro semestre do próximo ano”.
