Cabral exigia parceiros de 'extrema confiança'; empresas eram usadas para lavagem
Para operar o esquema de desvios e lavagem de dinheiro investigado pela Operação Calicute, o ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, exigia alto nível de confiança dentro da operação criminosa. Segundo o procurador Fernando El Hage, os operadores Carlos Miranda, Wilson Carlos e Luiz Carlos Bezerra eram amigos de infância de Cabral e de “extrema confiança”, daí a fazerem a intermediação entre ele e as empreiteiras. Também há evidências da participação de familiares. Parte das empresas que recebiam dinheiro em espécie, para lavagem de valores, eram de amigos de cabral: a Reginaves (Frangos Ricca) e o resort Portobello – em cuja marina ficava abrigada a lancha Manhattan. De acordo com El Hage, as duas empresas recebiam dinheiro por meio de contratos fictícios. As quantias eram mescladas aos ativos licítos já existentes nas empresas. “O nível de sofisticação é muito grande. Na lavagem de dinheiro, o mais difícil é o da mescla”, explica o procurador, que diferencia a tipologia da que utiliza empresas de fachadas, “mais fácil” de ser identificado. Outra empresa utilizada para lavagem de dinheiro foi a Sucom, criada em 1988. Ela começou a ter receitas mais expressivas após a saída de Hudson Braga, ex-secretário de Obras e participante do esquema, dos quadros do governo – e posterior entrada na sociedade. Há também entrada em outras sociedades: há o posto de combustível BL, na qual tem participação por meio de sua esposa, o posto R2, e o empreendimento Terras do Pinheiral, por meio da filha. Chamou a atenção
