Oposição vai montar comissão de juristas para avaliar denúncias de Calero contra Temer
Por Bruno Luiz
O líder do PT na Câmara dos Deputados, Afonso Florence, afirmou nesta sexta-feira (25) que a oposição vai montar uma comissão de juristas de “alta envergadura” para analisar o teor das acusações do ex-ministro da Cultura, Marcelo Calero, contra o presidente Michel Temer. Em depoimento à Polícia Federal, Calero relatou que o peemedebista o “enquadrou” (veja aqui) para tentar interceder em favor do ex-ministro da Secretaria de Governo Geddel Vieira Lima, que pediu demissão do cargo nesta sexta (leia aqui), no caso da liberação de obras do edifício de alto luxo La Vue, na Ladeira da Barra, em Salvador. O bloco oposicionista vai apresentar à PF um requerimento para obter o inteiro teor das declarações de Calero, inclusive as gravações das conversas entre ele e o presidente (clique aqui para saber mais). Caso haja indícios de crime de responsabilidade, a oposição pode ingressar com pedido de impeachment de Temer. No entanto, segundo Florence, não necessariamente o requerimento será feito pela bancada. “Não temos as provas em mãos. O quem tem é noticiário, vazamento. Tudo indica que há um crime de responsabilidade, mas temos que tratar isso com muita parcimônia, para não parecer ação política. A decisão de abrir o impeachment não precisa ser tomada apenas pela gente, mas por outros atores, não necessariamente seria a gente. Mas tem que se tratar de acordo com o devido processo legal. Não podemos fazer golpe”, ponderou o petista em entrevista ao Bahia Notícias. Na avaliação do parlamentar baiano, a demissão de Geddel foi uma “tentativa de estancar a sangria” do governo. “Foi apenas uma forma de diminuir o dano. Mas o governo está derretendo. Isso reduz a capacidade do governo, já que não tem voto, legitimidade, de retirar direitos sociais”, afirmou. Florence disse também que a oposição estuda abrir uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar a conduta de Geddel e Temer no caso, além de reapresentar requerimentos de convocação dos dois ex-ministros em várias comissões da Câmara. “Vamos apresentar também na PGR requerimento para coligir as provas e abrir inquérito em relação à conduta do presidente da República”, informou.
