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Iniciativas colaborativas fortalecem empreendedorismo negro em Salvador

Por Estela Marques

Zumdoo é marca de um afroempreendedor baiano| Foto: Divulgação
Empreendedores negros têm encontrado suporte para alavancar seus negócios em iniciativas colaborativas. Em Salvador, um escritório colaborativo e uma plataforma digital que reúne produtos de afroempreendedores têm se destacado neste ano. “A cultura de sair de dentro de casa e ter espaço para trabalhar elevou bastante a autoestima dos afroempreendedores. A gente não tem oportunidade de montar escritório. (...) E um dos pontos que a gente observa mais de carência é a formalização estrutural: da cultura que a gente precisa aos poucos modificar, se formalizar, sair de dentro de casa, ter espaço para trabalhar”, explicou Jaguaraci Aragão, coordenadora do Ujamaa Coworking. O espaço é ideal para quem precisa de um ambiente organizacional para tocar em frente seus negócios a baixo custo. Por isso mesmo, profissionais de diferentes áreas de atuação se reúnem no mesmo ambiente e podem trocar informações, até mesmo estabelecer parcerias. Atualmente, oito empresas estão incubadas na Ujamaa e têm acesso a oficinas e eventos de capacitação e formação. O mesmo acontece com os afroempreendedores vinculados à Kumasi, plataforma digital onde estão reunidas marcas de moda e acessórios de Salvador. Monique Evelle, gerente da empresa, conta que a equipe da Kumasi tem focado em capacitações para estratégia de vendas e gestão do negócio, principais dificuldades encontradas pelos afroempreendedores. “A maioria tem ideia e vende, não necessariamente vai virar um microempreendedor individual ou pequena empresa. A gente fala que tem essas possibilidades – se quiser ficar sem CNPJ, tudo bem –, além disso tem o registro da marca. A maioria não sabe como fazer”, explicou Evelle. Conforme contou a criadora do Desabafo Social, a Kumasi fechou uma parceria com a incubadora de negócios da Unifacs para facilitar o registro da marca: para não pagar um valor alto para uma única pessoa, estão se reunindo em grupos de cinco a seis pessoas para requerer um registro em preço menor. “Mais do que campo de disputa, é fortalecer empreendedores que estão chegando agora e aqueles que não conseguiram alavancar: o que eu tenho de habilidades e posso contribuir para o outro?”, acrescenta Evelle. A articulação é observada pela jornalista Midiã Noelle, redatora do site Lista Negra, focado em histórias de afroempreendedores. “São muitos os tipos de suporte especializado que estão surgindo pela necessidade mesmo de orientações e apoios mais específicos. (...) Acho que é preciso ações como essa. Nós, empreendedores negros, somos a maioria no país, mas não como empregadores. Somos, geralmente, empreendedores individuais. Precisamos expandir nossos negócios e o trabalho em rede é uma ótima opção isso”, avalia. Monique Evelle acredita que as Rodadas de Negócios promovidas pela Kumasi podem ser uma ferramenta para fortalecimento e visibilidade dos negócios de afroempreendedores – atualmente 11 fixos no coletivo, mas há previsão de expansão nesse número até novembro deste ano. “Todas as pessoas podem participar das rodadas. A gente avisa aos empreendedores, mas abre para o público porque, analisando os dados de negócios e empreendedorismo no Brasil, a maioria dos desafios e obstáculos de empreendedores negros, 40% fizeram formação no Sebrae e os outros não fizeram porque é muito caro ou não sabem como fazer”, acrescentou. 

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