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Oposição e situação podem se unir para evitar aliado de Cunha na presidência da Câmara

Por Bruno Luiz

Foto: José Cruz / Agência Brasil
A renúncia do deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) à presidência da Câmara nesta quinta-feira (7) (veja aqui) deve restabelecer a normalidade na Casa. Entre aliados e opositores, esta é a avaliação de parlamentares baianos ouvidos pelo Bahia Notícias. E a tendência, segundo os parlamentares consultados, é da construção de uma unidade para a conclusão do mandato do comando da Casa. Para Benito Gama (PTB), que “reconhece o trabalho [de Cunha]”, a decisão do peemedebista de abrir mão do cargo foi “acertada” e as eleições para escolha do novo presidente devem ser feitas “com cuidado e sem deixar contaminar nada fora do projeto político do novo governo [Michel Temer]. “Ele lutou até o limite, mas ele precisava restabelecer o funcionamento da Câmara. Será um processo disputado, temos alguns candidatos, como Rodrigo Maia [DEM-RJ], Rogério Rosso [PSD-DF], que é candidato do centrão, e estamos aguardando a esquerda”, afirmou. Ainda segundo Gama, aliado de Cunha, o clima neste momento na Câmara é de “descompressão” e ainda é “prematuro” avaliar se ele conseguirá se livrar da cassação no Plenário da Casa. Enquanto isso, Daniel Almeida (PCdoB), acha “muito difícil” que Cunha consiga salvar o mandato. Para ele, a renúncia foi um movimento do peemedebista na busca de eleger um aliado para sua sucessão na Câmara e, assim, conseguir escapar da guilhotina política. “É fundamental que ele não consiga eleger sucessor, porque seria um achaque, completamente intolerável à nossa Casa. Não tenho a menor dúvida que ele conta com a parceria do governo interino Michel Temer. Ele mantém larga influência em bancadas na Casa e junto ao governo e vai usar todos os mecanismos de pressão que dispõe para se proteger. O governo já deu sinais de que tem esse compromisso com ele, tem uma relação íntima”, disse. Para o comunista, é necessária uma aliança entre partidos de esquerda e direita para evitar a ascensão de um aliado de Cunha à chefia do Legislativo Federal. “O grande desafio é impedir que o centrão tome conta da Casa. Para que isso aconteça, teríamos que mobilizar forças lúcidas da Casa. Nesse momento, nem a esquerda e setores à direita têm condições de eleger um presidente da Câmara sozinho. Temos que ter a capacidade de eleger alguém que representa a pluralidade da Casa. Um aliado de Cunha seria um grande um mal”, avaliou. Para o deputado José Carlos Aleluia (DEM), que já se lançou na disputa pela sucessão de Cunha, uma aliança entre partidos de diferentes espectros políticos também não está descartada. “Eu acho que é fundamental um presidente que consiga unir a Casa, que possa fazer uma transição para o mandato futuro, do presidente para os próximos dois anos. Eu desejo que haja aliança entre os partidos, que seja um presidente que represente os deputados. Tenho conversado muito com partidos da oposição e que estavam na oposição ao governo anterior e eles apresentaram disposição de discutir um nome comum”, declarou. O democrata ainda fez uma boa avaliação do mandato de Cunha, mas acredita que sua renúncia se deveu a “excessos” que cometeu sem, entretanto, apontá-los quais seriam. “Eduardo Cunha deu uma boa dinâmica de trabalho à Câmara. Não está caindo pelos erros que cometeu na Presidência. Ele teve coragem, foi um mandato de independência. Pode ter cometido excessos, mas fez um trabalho bom como presidente”, ponderou. 

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