PartidA: Márcia Tiburi cria movimento para aumentar presença de mulheres na política
Por Luana Ribeiro
Desde o início do seu governo, a presidente afastada Dilma Rousseff, primeira mulher a ocupar o cargo, enfrenta uma disputa de poder, ainda, à época, no campo da linguagem. Escolheu ser chamada de presidenta, mas o epíteto não pegou: apenas a Empresa Brasileira de Comunicação, estatal, e alguns blogs de esquerda assumiam a palavra no feminino. O movimento partidA, criado pela filósofa e escritora Márcia Tiburi para ampliar a presença de mulheres na política, encampa uma briga semelhante, como ação feminista – ao falar do projeto, ela sempre usa o artigo feminino: “a partida”. Questionada sobre se partidA é de fato um partido, Márcia afirma que a pergunta resume o “ser ou não ser” da proposta. “A partidA começou com uma pergunta: vamos fazer um partido feminista? E as pessoas que podiam responder essa pergunta ficaram muito em dúvida. Porque existem muitas críticas à institucionalização, ao poder na sua forma tradicional. Então a partir dessa pergunta, nós criamos um movimento. E essa pergunta continuou em aberto e até hoje o movimento, que funciona como um partido, é um movimento, mas não o partido, e se coloca essa pergunta, novamente, a cada vez, é o nosso 'ser ou não ser'. É uma potência que se nutre dessa ambiguidade, desse devir”, explica. A partidA utiliza o Facebook para auxiliar na angariação de novas “filiadas”, para usar uma palavra não tão exata. “Como é uma ideia de um movimento, as pessoas pegam essa ideia e fazem à sua maneira. Então, um belo dia, o grupo que estava em São Paulo reunido descobriu que o pessoal lá em Palmas inventou uma partidA. Claro que depois as pessoas se conectaram todas e todo mundo vai se juntando”, afirma. Na página, que já tem 18.728 curtidas (até a tarde desta quinta-feira), são publicados textos sobre o feminismo e a cultura machista, ações de mulheres na política e questões gerais relacionadas à vida das mulheres e aos direitos humanos. Um post fixo que explica o que é a partidA recebe comentários como “Eu quero entrar?” e “Onde me filio?”. “Mas elas entenderam que o jogo da partidA é uma roda, uma reunião entre feministas, uma conversa sobre feminismo e uma conversa que tinha como objetivo reunir pessoas para empoderá-las por meio do feminismo, para protagonizar essas pessoas para ocupar o governo. Porque esse é o projeto, a gente usa o conceito de ocupação na direção dos poderes estabelecidos”, acrescenta Márcia. Além da página principal, em alguns estados já foram fundados perfis, como São Paulo, Rio de Janeiro, Tocantins, Paraná, Rio Grande do Sul, Pará, Sergipe e Bahia. A postagem é livre, utilizado a hashtag #partidA. Não há um diretório ou estrutura de cargos no movimento. “As feministas que participam desse projeto falam muito de 'fazer a partidA', porque é uma construção coletiva bem horizontal, não existe nenhuma regra preestabelecida, nenhum formato, nenhum comando, ninguém é coordenador da partidA, nem funcionário da partidA, ou coisa parecida. Não existe essa construção de cargos. Existem comissões, a gente chama de rodas, as pessoas vão trabalhando com audiovisual, com questões de estratégia política, de formação”, destaca.

Foto: Reprodução/ Gestão e Produção Cultural na Bahia
