Ministro da Justiça estranha revogação de Maranhão: 'Pressões políticas ilegítimas'
O ministro da Justiça, Eugênio Aragão, disse ter achado estranha a forma como o presidente interino da Câmara dos Deputados, Waldir Maranhão (PP-MA), revogou a anulação da sessão que aprovou a admissibilidade do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). Segundo a Agência Brasil, o ministro não questiona a revogação, mas o modo como foi feito. "Já que o ato [a anulação da sessão do impeachment] foi tão motivado e levou a tanta celeuma, por que o desfazimento daquele ato não teve motivação? Acredito que por trás disso temos, mais uma vez, o fenômeno das pressões políticas ilegítimas. Isso parece muito evidente", disse Aragão. O ministro acredita que a retirada da decisão deixa uma "zona cinzenta de dúvidas" sobre haver ou não a nulidade. "Haveria a possibilidade de os partidos fecharem questão sobre o impeachment ou não havia essa possibilidade? Infelizmente, o despacho feito agora pelo presidente em exercício da Câmara não foi esclarecedor. Portanto, deixa pairar uma dúvida no ar", acrescentou. Segundo ele, a dúvida poderá ser arguida pela Advocacia-Geral da União no Supremo Tribunal Federal (STF) ou mesmo no Senado. "É de se estranhar, neste momento, a avidez com que certos atores políticos buscam criar uma situação definitiva, quando, ainda, os argumentos da defesa estão longe de estar exauridos e conhecidos pelas instâncias que deverão julgar", concluiu.
