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Com agenda plural e inclusiva, Concha Acústica se firma como espaço cultural alternativo

Por Ailma Teixeira

'Domingão na Concha' com Lenine e Rumpilezz | Foto: Divulgação
Com o objetivo de se firmar como "um grande espaço cultural alternativo", a Concha Acústica do Teatro Castro Alves (TCA) foi inaugurada pela primeira vez em abril de 1959 com show do compositor Dorival Caymmi, acompanhado da Orquestra Sinfônica da Bahia (Osba). O espetáculo seria na Sala Principal do TCA, mas o incêndio gerado por um curto-circuito culminou no fechamento completo das instalações do complexo por oito anos. Os primeiros registros que se tem da Concha, reaberta em 1967, são da Caravana do Pau de Sêbo com Marinês e Sua Gente, Trio Nordestino, Coronel Ludugero, Jacinto Filho, Oswaldo Oliveira e Abdias e sua sanfona. O show rendeu o EP "Pau de Sêbo". Sempre com foco na agenda musical, o anfiteatro já recebeu atrações locais, nacionais e internacionais, a exemplo dos shows de reencontro dos Los Hermanos, em 2010, e da performance do Grupo de percussão japonês “Wadaiko”, em dezembro de 1995. Tendo como critério de agenda desde sua fundação abrir espaço tanto para a produção artística já consagrada quanto para as novidades da cena cultural, a Concha promoveu encontros memoráveis, como Caetano Veloso, Gilberto Gil e Maria Bethânia com show em homenagem ao maestro Vivaldo, no dia 2 março de 1979 e, mais recentemente, em dezembro de 2013, no especial "Domingão na Concha", shows de Lenine, Letieres Leite e a Orkestra Rumpilezz, Margareth Menezes, Nelson Rufino, Luiz Caldas, Marcela Bellas e outros artistas. Para o secretário de Cultura do Estado, Jorge Portugal, a Concha funciona como esse instrumento para fomentar a cultura e, ao mesmo tempo, cultuar artistas consagrados. “Essa programação de inauguração já contempla um pouco isso, pois tem o artista memorável e novos artistas, que estão ali praticamente estreando nesse cenário. Temos dos Novos Baianos a BaianaSystem, por exemplo”, avalia o secretário.
 

Primeira passagem do turnê de reencontro do Los Hermanos em 2010 | Foto: Blog Olho do Cacará
 
Dessa forma, o espaço sempre manteve seu caráter plural com representações artísticas para todos os públicos. "Tem potencial para o teatro, dança e sobretudo para o público infantil, que tem sido esquecido. A Concha Acústica é ideal para o público infantil porque aproxima as crianças do palco, elas podem interagir livremente, sem o compromisso e o ritual da sala de concertos", pontua o pesquisador de História da Música da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Pablo Sotuyo. No histórico do espaço, se destacam as apresentações do Circo Picolino e do espetáculo "Streetlight" com o grupo italiano "Gen Rosso", que teve apresentação única em maio de 2006. Com o propósito de manter essa multiplicidade artística, os shows musicais serão entremeados por performances de dança com o Balé do Teatro Castro Alves. “A Concha merece ser alvo não apenas de políticas culturais estaduais, mas nacionais. Tem a capacidade de ser plural, inclusiva e sempre visando a memória. O espaço foi um pivô da dinâmica desta identidade musical que o baiano, o nordestino e o brasileiro precisam fortalecer”, acrescenta o pesquisador.

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