Cunha nega interesse por ‘sucessão’ de Temer: ‘Não serei presidente da Câmara em 2017’
Por Fernando Duarte, de Brasília / Rebeca Menezes
O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), acusou o governo de tentar “politizar” o processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff (PT) ao aponta-lo como provável vice-presidente em um eventual governo de Michel Temer (PMDB). Governistas têm frisado, em seus discursos, que Cunha é o próximo na linha sucessória da presidência caso Dilma seja afastada. Porém, em entrevista à rádio Itatiaia, de Belo Horizonte, o peemedebista disse que não será reeleito para o cargo no próximo ano. “O presidente da Câmara não é sucessor de ninguém. Existe uma diferença. O vice-presidente da República é sucessor do presidente e substituto eventual. Os presidentes da Câmara, do Senado e do Supremo [Tribunal Federal] são substitutos eventuais. Isso é uma tentativa de politizar o processo. Até porque eu não serei o presidente da Câmara depois de fevereiro de 2017. Então não tem lógica essa situação que está sendo colocada”, alegou. De fato, Cunha não poderia se reeleger para a presidência da Casa nem se quisesse. De acordo com o regimento da Câmara, é vedada a recondução para o mesmo cargo da Mesa Diretora na eleição subsequente, realizada dentro da mesma legislatura. Como o governo de Dilma começou em 2015, quando Cunha foi eleito, ele não poderia se candidatar ao posto no ano que vem. Para o deputado, a discussão sobre a sucessão da vice-presidência da República visa “criar um constrangimento político pra tentar fazer um debate de outra natureza”. “Então eu repudio esse tipo de situação e eu acho que nós temos que colocar as coisas em seu devido lugar. Tem uma denúncia grave, que é o crime de responsabilidade da presidente da República, que está sendo apreciada no plenário da Câmara. É sobre isso que nós temos que discutir. É sobre isso que a presidente da República deveria falar”, ironizou.
