Moro envia ao STF documentos da Mossack Fonseca apreendidos na Lava Jato
Documentos aprendidos na 22ª fase da Operação Lava Jato, chamada Triplo X, foram enviados pelo juiz Sérgio Moro para o Supremo Tribunal Federal (STF). De acordo com o Estadão, todos os documentos foram apreendidos pela Polícia Federal na filial da Mossack Fonseca. A decisão do juiz atende a uma determinação do ministro Teori Zavascki que mandou o magistrado encaminhar todas as investigações que pudessem implicar Lula para o Supremo depois que vieram à tona os grampos do telefone do ex-presidente nos quais ele conversa com autoridades com foro privilegiado, como a presidente Dilma Rousseff. A Mossack entrou na mira da Lava Jato pois uma offshore criada por ela era detentora de um tríplex no edifício Solaris, no Guarujá, vizinho ao apartamento atribuído ao ex-presidente Lula, que chegou a adquirir uma cota do empreendimento, mas depois desistiu do negócio. A suspeita da Lava Jato é de que a offshore foi usada para ocultar patrimônio oriundo do esquema de corrupção na Petrobrás. Diante destas suspeitas, a filial brasileira da firma panamenha, localizada na Av. Paulista, foi alvo de buscas da Polícia Federal no dia 27 de janeiro. Não há relação da offshore com o apartamento atribuído ao ex-presidente Lula. Os Panama Papers, que trouxeram à tona todos os dados dos clientes da Mossack no mundo, revelaram que ao menos 1.400 brasileiros contrataram os serviços da empresa, incluindo grandes empresários, políticos e até famosos, como o cantor Roberto Carlos, que declarou sua empresa à Receita Federal. Pela legislação brasileira, não é crime possuir offshore – empresa sediada em paraíso fiscal – desde que ela seja declarada à Receita Federal.
