Ingresso de Silvio Pinheiro no PSDB embola disputa por vice de Neto
Por Fernando Duarte
Há pouco mais de um mês, as bolsas de apostas no Palácio Thomé de Souza sobre o potencial candidato a vice na chapa de ACM Neto (DEM) na tentativa de reeleição sugeriam que dois deles, Luiz Carreira (PV) e Bruno Reis (PMDB), estavam mais à frente dos outros dois potenciais, Silvio Pinheiro (PSDB) e Guilherme Bellintani (PPS). No entanto, a notícia de que o secretário de Urbanismo, Silvio Pinheiro, se filiou ao PSDB (veja aqui) embolou um pouco mais a disputa que, frise-se, é apenas uma guerrilha interna para saber quem receberá o amém definitivo do prefeito ACM Neto. Avaliações de bastidores apontam prós e contras de cada um dos candidatos, que podem eventualmente se tornarem prefeitos em 2018, caso o democrata decida ser candidato a governador. Carreira, na Casa Civil, é o mais experimentado de todos. Político desde os tempos de ACM avô, foi para o PV a pedido de ACM Neto para uma saída tangente de justificar a manutenção da vice com o partido – em 2012, coube a legenda indicar Célia Sacramento para a vaga, que ao ingressar o PPL praticamente desistiu de permanecer no cargo. Não tem tanta envergadura partidária, porém é visto como um autêntico fiel escudeiro. Reis, cria de ACM Neto e ex-assessor do então deputado federal, foi uma jogada tática do prefeito para manter alguém ligado a ele no PMDB, maior partido em tempo de televisão para a campanha. Possui peso na relação pessoal com o prefeito e, se tiver o aval dos Vieira Lima, que controlam o PMDB, pode ser alçado a condição de vice – isso sem considerar a conjuntura política em que a legenda pode se tornar ainda mais poderosa. Esses dois eram considerados franco favoritos. Entretanto, a chegada de Pinheiro no PSDB o fortaleceu com o fato da legenda ser um aliado de mais envergadura na política nacional do que o Solidariedade, até então legenda do secretário de Urbanismo. O “pulo do gato” dele, todavia, foi não sair em litígio com a antiga casa. Assim, entram na contabilidade política do prefeito que Pinheiro agremia o PSDB, com seus caciques João Gualberto, Antônio Imbassahy, Jutahy Jr. e Paulo Câmara, somado ao SD, que no plano nacional possui Paulinho da Força, um dos herdeiros da condição de oposição raivosa dos tempos em que ACM Neto chegou a propor uma “surra” no então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Pinheiro também teria ao próprio favor a simpatia de amigos próximos do democrata, algo que pode ser decisivo para a escolha definitiva. Cada vez menos presente na disputa, Bellintani talvez consiga intentar sua antiga meta: deixar o serviço público ao fim da gestão atual. Porém ainda não pode ser oficialmente descartado. O tabuleiro de xadrez de Neto vai se aproximando do xeque prometido para junho.
