Grupo A Tarde pode mudar de dono outra vez
Por Ricardo Luzbel / Alexandre Galvão
A premissa da família para se desfazer do grupo A Tarde era encontrar um grupo empresarial que se comprometesse em manter vivo o centenário vespertino. O publicitário Sérgio Amado, presidente da maior empresa de publicidade nacional – a Ogilvy – interessou-se em analisar o assunto. Reuniu um grupo de empresários locais, contratou uma diligência para analisar a real situação do grupo e, quando concluiu a avaliação, após três meses, ficou claro que a aquisição imediata não seria possível. O montante elevado das dívidas trabalhistas - previdenciárias (INSS, FGTS), dos impostos federais em atraso e dos fornecedores- somava R$ 160 milhões, o que tornava o negócio inviável para a aquisição dos compradores. A existência de débitos não visíveis era muito alta. Além do mais, o grupo era extremamente dependente das receitas públicas, tanto federais, quanto estaduais e municipais, representando quase 50% da sua receita, o que certamente comprometeria sua credibilidade editorial. Optou-se, então, por contratar com os acionistas, uma opção de compra das ações válida por três anos com pagamento mensal de R$ 150 mil por esta opção. O grupo comprador adquiriria por R$ 10 milhões 75% das ações da rádio A Tarde, valor que seria inteiramente revertido por cobrir os débitos vencidos existentes. Mais, ainda, aportaria como antecipação de publicidade um valor que poderia alcançar o montante de R$ 10 milhões, garantindo então o pagamento de todas as dívidas em atraso. Após três anos, se não houvesse surpresas na administração dos veículos de comunicação, o grupo comprador exerceria então a opção de compra, pagando, desta vez, diretamente aos acionistas o valor de R$ 20 milhões, em três anos. Sem aviso, o grupo fez outra opção. Pouco antes do carnaval de 2016, a promoter Lícia Fábio apresentou Crezo Dourado a André Blumberg, então presidente do jornal, e o empresário mostrou interesse na compra do Grupo A Tarde. Em menos de dez dias depois do encontro inicial, o contrato de venda da rádio estava assinado por R$ 11.250.000,00, com a WYX Holding S/A, representada por Felício Valadares Jr., e o jornal pelo valor de R$13.750.000,00 pela Piata SP Participações, representada pelo mesmo Felício. O pagamento em 50 parcelas mensais – feita diretamente aos acionistas e uma carta de fiança de um banco reconhecido por uma agência internacional de risco, assim como o compromisso de, em 180 dias, liberar as garantias financeiras dadas pela família Simões fariam parte do acordo. O grupo, rapidamente, fechou a venda com os empresários, que não fizeram nenhuma análise financeira e imaginou poder se livrar das dívidas do jornal, rapidamente. Mas aí os problemas se agravaram. Ao entrar na empresa, o grupo descobriu o caixa zerado. A maior parte do dinheiro oriundo da publicidade estava retido pelos bancos – a exemplo da Caixa Econômica, que, em 2013, emprestou R$ 25 milhões, tendo o terreno na Tancredo Neves dado como garantia. A primeira parcela do pagamento da família – no valor de R$ 260 mil – foi paga no dia 2 de fevereiro e, com recursos retirados das poucas receitas auferidas pelo jornal. André Blumberg foi demitido após atrito com novos donos. Para seu lugar, Geraldo Vilalva foi apresentado. No entanto, com o atraso de dos salários dos jornalistas e, para não se indispor com colegas, Vilalva pediu demissão. Ficou no cargo por apenas oito dias. Comenta-se que, como a carta fiança bancária não estaria sido nos moldes contratuais, a transação não foi averbada na Junta Comercial da Bahia e a família estaria tentando, judicialmente, se desfazer da negociação. Com a decisão, os Simões já conversam com novos empresários. As conversas mais avançadas estariam sendo feitas com o empresário Marcos Medrado, que já é dono de rádio, e com Gervásio Oliveira, da FTC. Entre os dois, as conversas com Medrado fluem com maior agilidade. Comenta-se que ele estaria disposto a injetar, junto com um sócio, R$ 10 milhões para quitar salários e fornecedores e assumir o negócio. No entanto, tudo depende do desenrolar contratual com o grupo controlado por Crezo. Na tarde desta quinta, foram demitidos Mariana Carneiro - diretora de Redação e Luis Bernardes - diretor de Circulação. Além deles, estão na lista Edmilson e Emanuel, do Marketing e Comercial e Cleber, do Financeiro. O fato é que o clima na redação anda tenso. Segundo pessoas ligadas à família, ainda esta semana poderão haver mudanças.
