Samarco e projetista negam recuo aberto em barragem que rompeu em Mariana
A Samarco e o engenheiro Joaquim Pimenta de Ávila, responsável pelo projeto da barragem que rompeu em Mariana (MG), negam serem responsáveis pelo recuo aberto na barragem há três anos. Essa mudança pode explicar a tragédia que matou 19 pessoas e poluiu um Rio Doce. De acordo com reportagem da Folha de S. Paulo, Ávila declarou que projetou a barragem até 920m acima do nível do mar, que ruiu com 898m. "As fotos áereas mostram que o nosso projeto não foi seguido e que a construção tinha geometria diversa da indicada", disse. Ávila começou o projeto em 2006 e quando seu contrato venceu, em 2012, com a barragem em 835m, a Samarco fechou com a VogBR para um projeto de obras acessórias. A empresa também começaria, no final de 2014, a fazer o projeto de 920m para 940m. Ávila voltou em 2013, como consultor, e disse que as alterações ocorreram em sua ausência. As mudanças precisaram ser feitas, segundo a Folha, porque a barragem precisou de um dreno em 2012. Com isso foi aberto um canteiro de obras, recuando o eixo para ter espaço físico para os trabalhos, e curvou-o em 'S'. Em depoimento à Polícia Federal, Ávila disse que identificou um "princípio de ruptura" no recuo, em 2014, como consultor. A Samarco rebateu que a obra foi feita para corrigir falhas no projeto de Ávila. "Toda a intervenção seguiu o manual de operação feito pelo projetista, e ele, como consultor, teve plena ciência do recuo", disse a empresa em nota. O engenheiro nega falhas.
