Com 42 anos, Commanche do Pelô comemora resistência de grupos indígenas no Carnaval
Por Estela Marques / Rebeca Menezes
Uma das atrações do Fuzuê, evento que marca o início dos festejos de Carnaval em Salvador, o bloco Commanche do Pelô comemora 42 anos de história. Mas além de ressaltar a cultura antiga do Pelourinho, o grupo espera também reforçar a sobrevivência dos grupos indígenas na folia momesca. De acordo com o diretor do Commanche, Edmilson de Lima, apenas dois blocos relacionados à cultura indígena brasileira ainda saem durante o Carnaval."Nós já tivemos 23 blocos de índios, que ficaram para trás. Hoje são apenas dois, que conseguiram resistir a duras penas", lamentou. Para que a atração continue a existir, contudo, a também organizadora do Commanche, Jaci, diz que é importante o apoio da população. "Quem veste essas roupas tem muita fé, muito amor, muita alegria. Nós estamos representando os índios com o cocar, o arco e flecha... Mas mesmo assim ainda somos muito discriminados. Por isso fazemos um apelo para que as pessoas nos apoiem mais. Não podemos perder essa cultura", pediu Jaci.Se depender da foliã Marília Campos, o grupo já está garantido por outros 42 carnavais. "Quando eles chegaram, eu me lembrei de quando era criança, que eu via o Comanches e esses blocos tradicionais passarem. Chega bateu a emoção", contou. "O Carnaval hoje está muito batido, é importante trazer essacultura de volta, porque é uma coisa que permite a renovação daquilo que a gente considerou velho um dia", completou. O Fuzuê é um desfile de bandas de sopro, percussão e batucada no circuito Orlando Tapajós, que vai do Clube Espanhol ao Largo do Farol da Barra. Além do Commanche, também se apresentam neste sábado (30) as Baianas e Ganhadeiras de Itapoã, o bloco Jacu / Barão, o Pierrot de Plataforma, o Bloco Saco Cheio, os Macarados de Maragogipe, o Paroano Sai Milhó, o Afoxé Corin Efan, o Bloco Travestidos - As Kuviteiras e Os Mutantes.
