Comissão na Câmara debate venda da Gaspetro; Davidson pede apuração
A Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados debateu nesta quinta-feira (10) em audiência pública a venda de 49% da Gaspetro para a Mitsui Gás e Energia do Brasil. O deputado Davidson Magalhães (PCdoB-BA) voltou a criticar a operação, que dará à Mitsui o poder de interferir nas distribuidoras estaduais, como a Bahiagás. “A lógica da Mitsui não é o investimento. É se apropriar o fluxo de caixa. Isso é um problema grave para a maturação da indústria de gás no Brasil”, afirma o parlamentar. Ele destaca que a empresa poderá colocar a estratégia da Bahiagás de interiorizar a distribuição de gás no estado em segundo plano. Davidson já deu entrada na comissão, por meio da Proposta de fiscalização e controle nº 63/2015, um pedido de investigação sobre a venda, alegando que a negociação tem “graves suspeitas de irregularidades”. O deputado citou que o presidente do Conselho de Administração da Petrobras, à época da aprovação do negócio, era o executivo Murilo Ferreira, também presidente da mineradora Vale, que tem negócios com a Mitsui. O deputado apontou que a Mitsui já está interferindo na rotina da Bahiagás, com a conivência da Gaspetro. “Está havendo uma alteração do processo decisório das companhias”, declara. No início do mês, o governo da Bahia obteve uma liminar na Justiça estadual que interrompeu o negócio entre a Gaspetro e a Mitsui, no valor de R$ 1,9 bilhão, apesar do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) ter sinalizado favoravelmente à operação. A Gaspetro tem participação em 19 empresas de distribuição de gás, quase todas controladas pelos estados. Estas participações serão todas repassadas à companhia.
