Operação Caronte: Delegada destaca caráter técnico de ação contra Elinaldo
Por Estela Marques / Luana Ribeiro
As investigações sobre o caso de lavagem de dinheiro por meio da atividade de jogo do bicho que levaram à prisão do vereador de Camaçari Antônio Elinaldo (DEM) (clique aqui e veja) já foram encerradas, segundo a delegada do Departamento de Repressão e Combate ao Crime Organizado (Draco), Débora Pereira. De acordo com a delegada, o foco das apurações foram as atividades ilícitas. ”Efetivamente a gente não tem essa busca de identificar e de trabalhar com questões políticas. Nós somos técnicos, aqui se está diante de delegado de polícia, promotor de Justiça. E a nossa identificação criminal é técnica. Nós fizemos um trabalho de coleta de provas, substancial e que foi apresentado no Ministério Público, que compreendeu que está diante de voltada para esse tipo de crime”, afirma. “Não houve um interrogatório dele porque ele é vereador. A condição dele como vereador é uma situação específica do investigado”, ressalta. A Operação Caronte, como foi batizada a ação, solicitou à Justiça, além dos pedidos de prisão, de interdição dos boxes e de quebra de sigilo bancário (referentes aos últimos três anos), o bloqueio de bens dos envolvidos na última quarta-feira (3), até o valor de R$ 5 milhões . Além de lavagem de dinheiro, foram tipificados crimes de sonegação fiscal e organização criminosa. Ainda não há indícios, porém, de desvio de dinheiro público. “Efetivamente, o que a polícia espera, é que a atividade de lavagem de dinheiro na Bahia possa ser investigada com mais rigor como a gente vê isso sendo feito em nível federal”, disse a delegada, em menção à Lava Jato. “É um modelo para a gente do ponto de vista que a gente possa fazer com que as instituições possam atuar de uma forma mais livre”, argumentou. Ainda de acordo com Débora, não há informação de outro grupo associado com o nome Paratodos, conhecida rede de loterias. Elinaldo já havia sido interrogado antes de ser preso, negou seu envolvimento e, de acordo com Débora, pareceu surpreso com a prisão. “Existe um link da parte da quebra de dados bancários e fiscais, há uma relação muito grande entre eles e efetivamente o operador principal do que a gente identificou como Pinta, que é o irmão dele [de Elinaldo], Cristiano. Há uma indicação forte da participação do vereador nessa situação”. Pedro de Souza Filho, também preso durante a operação, é apontado como o mais antigo membro da organização – seu filho, Ivan Pedro Moreira de Souza, citado na denúncia, está foragido.
