Presidente do ComCar critica tentativa de ‘engarrafar cultura’ com a lei dos forrozeiros
Por Estela Marques
O presidente do Conselho Municipal do Carnaval de Salvador (ComCar), Pedro Costa, criticou o item da lei dos forrozeiros, aprovada na última terça-feira (16) na Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA), que reserva 60% da grade de programação para artistas que expressam e valorizam a cultura baiana. A medida se aplica a períodos festivos, como Carnaval e São João, em que o percentual das contratações de entes públicos com verbas estaduais devem ser de artistas e grupos que preservem as características culturais de cada festa – em outras palavras, que toquem axé ou forró, respectivamente. “Não adianta tentar engarrafar [a música] achando que vai manter a cultura, porque não cola. É bobagem dizer que no Carnaval 60% terá de ser axé. Não adianta, a população não apoia isso”, opinou Costa. O presidente do ComCar ponderou, no entanto, que tem lugares que só agradam pé de serra e não adianta ir outro gênero musical porque não vai agradar o público, assim como há lugares, como micareta, onde prevalecem estilos que são do carnaval. “A cultura é algo que emana do sentimento da população, não da vontade de um ou outro parlamentar. É mais uma burocracia que, na prática, não terá aprovação da população”, concluiu.
