Desavença de Eduardo Cunha com Planalto fez com que Câmara batesse recorde de votações
Em fevereiro e março deste ano, o Plenário da Câmara dos Deputados registrou o maior número de aprovações dos últimos 20 anos, se comparado com o mesmo período de legislaturas passadas. O ritmo acelerado de votações tem sido uma das marcas da gestão do presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB). Desde que ele assumiu o cargo em 1º de fevereiro, o Plenário já se reuniu mais de 60 vezes. As sessões deliberativas - que são aquelas em que há votação - foram mais de 30. E o saldo final é que foram aprovadas 3 Propostas de Emenda à Constituição, 21 projetos de lei, 3 projetos de lei complementar, 7 projetos de decreto legislativo, 5 projetos de resolução e 1 medida provisória, segundo a Agência Câmara. O deputado Bruno Araújo (PSDB -PE), líder da minoria, acredita que iniciativa e coragem explicam esse resultado. "Não ter um grau de dependência do governo que lhe faça ter que perguntar antes o que gostaria ou não que votasse. Que essas decisões saem do próprio presidente ouvindo o colégio de líderes e transformando a Casa num palco de exercício de poder.” Para o líder do governo, deputado José Guimarães (PT-CE), o presidente Eduardo Cunha está no papel dele ao imprimir um ritmo forte aos trabalhos. Cabe à base governista discutir rapidamente os assuntos para votar. "Nós mantivemos todos os vetos, preservamos a votação da correção da tabela do Imposto de Renda numa ampla negociação com o Congresso, nós editamos a medida provisória do salário mínimo”, listou o parlamentar negando que o governo tenha sido derrotado em algum momento. “O governo não teve praticamente nenhuma derrota apesar da mídia apregoar aos quatro cantos que o governo é sempre derrotado."
