Carnaval: Conselho Tutelar ameaça não ir para circuito se prefeitura não pagar vale alimentação
Por Estela Marques
O Conselho Tutelar decidiu, em assembleia nesta terça-feira (10), não participar do Carnaval de Salvador. A justificativa é o não pagamento do auxílio alimentação aos 90 conselheiros designados para trabalhar na festa. Ailton Rodrigues, membro da Comissão de Participação e Planejamento do Conselho Tutelar e coordenador do Conselho 16, disse que, na quinta-feira (12), acontecerá outra assembleia para reafirmar a decisão da categoria. Até lá, a expectativa é que a administração municipal negocie com os conselheiros e oferte os valores do ticket alimentação, como aconteceu no ano passado. De acordo com Rodrigues, a prefeitura pagou R$ 180 nos seis dias de festa, o equivalente a R$ 30 diários - mesmo valor solicitado neste ano. "O valor que encaminhamos foi de R$ 1.500 sem o auxílio alimentação, pelos seis dias de carnaval, 24 horas de Conselho Tutelar no circuito. A Secretaria [de Promoção Social e Combate à Pobreza - Semps] tirou o auxílio alimentação e deixou R$ 1.300", relatou Ailton Rodrigues. Segundo ele, a Semps alegou que não pode dar o auxílio alimentação. Por meio da assessoria de imprensa, a Semps disse que "não tem autonomia para decidir valores de pagamento" e que "o valor acertado foi definido pela Semge" (Secretaria Municipal de Gestão). O secretário de Gestão, Alexandre Paupério, disse que o último contato que teve com o Conselho Tutelar foi no Carnaval do ano passado. Segundo o gestor, o pagamento planejado será o mesmo de 2014, em torno de R$ 1.300 para quem trabalhar todos os dias. "O Conselho Tutelar não é servidor do município de Salvador. É importante para a sociedade, mas não é servidor. A gente paga gratificação adicional aos servidores. Há prática que esse pagamento seja feito como ajuda de custo, para alimentação na rua, deslocamento", declarou. Paupério afirmou que o auxílio alimentação reivindicado pela categoria já está incluso no valor planejado. O secretário disse ainda que nesta quarta-feira (11) vai se reunir com o Ministério Público para discutir o assunto e disse ter "boa intenção com o Conselho Tutelar". Caso a entidade suspenda a operação no Carnaval, a Semps afirmou que vai aumentar o efetivo de abordagem social, psicólogos e assistentes sociais, no trabalho em parceria com o Ministério Público e a Defensoria Pública. Ailton Rodrigues, membro do Conselho Tutelar, disse que, caso não haja negociação, o plantão da entidade será centralizado por região (Itapuã e Boca do Rio, Subúrbio e Cajazeiras) e só serão atendidas situações que chegarem ao Conselho.
