CONGRESSO NA UTI
Por (Darlene Pereira/ Lívia Cortizo)

Em entrevista à revista "Veja" desta semana, o presidente do Senado Garibaldi Alves (PMDB-AL), que assumiu a presidência do órgão após a renúncia de Renan Calheiros - depois do escândalo com a jornalista Mônica Veloso -, desabafa e diz que o Congresso Nacional está na UTI. Questionado sobre qual o diagnóstico que ele faria do Congresso , Garibaldi relata que o órgão deixou de votar, de legislar, de cumprir sua função, e é uma agonia lenta que está chegando a um ponto culminante. "O Legislativo não é mais uma voz da sociedade nem uma caixa de ressonância. Está meio sem função". Além disso, o senador analisa os pontos fortes e fracos do governo. Afirma que no interior do Nordeste muita gente já não quer mais trabalhar porque está recebendo o Bolsa Família, "preferem o dinheiro fácil a pegar no cabo da enxada. Agora, para a fome não há outra receita a não ser encher a barriga. Por isso Lula é popular". Garibaldi vai mais além e diz que Lula passou a ser "um dono da verdade", que sua política de reforma agrária não é boa, que não segura a exacerbação do MST, entre outras falhas apontadas. Quando questionado sobre a corrupção no Executivo, o senador afirma que o governo Lula foi muito frágil com a corrupção, adotando a política de que os corruptos não erraram e foram vítimas de complôs. "Se o presidente não pune, não manda apurar, abre a porta para mais corrupção. Lula deveria ter cortado o mal pela raiz. Como não cortou, ficou sem condição de debelar a corrupção".
