ACM Neto tenta ‘apaziguar’ base aliada na Câmara; PSDB e PTN tentam capitalizar para 2016
Por Fernando Duarte
A sessão desta terça-feira (9) da Câmara de Salvador expôs a divisão interna da base do prefeito ACM Neto (DEM), justificada pela disputa entre o atual presidente e candidato à reeleição Paulo Câmara (PSDB) e o vereador Carlos Muniz (PTN) pelo comando do legislativo soteropolitano. De um lado, o tucano, articulado com a oposição, buscou postergar a votação da Lei Orçamentária Anual (LOA) e garantir mais tempo para negociar a manutenção da presidência. Do outro, mas não diametralmente oposto, o PTN tentou mostrar empenho para a aprovação de um projeto de interesse do Executivo e mobilizou aliados, incluindo petistas como Henrique Carballal, Moisés Rocha e Alcindo Anunciação, para apreciar a LOA. O “pseudorracha”, no entanto, entrou na rota de conflito com as perspectivas do prefeito. ACM Neto tem conversado, individualmente e em blocos, com vereadores para tentar chegar a um consenso sobre a disputa. Oficialmente, o prefeito não se manifestou e garante não se envolver na questão. O discurso de ACM Neto, desde a posse, foi de independência entre os poderes. Porém, uma ferida exposta e aberta, dentro da base, não facilita o encaminhamento de projetos do Executivo, cujas promessas para o próximo biênio incluem o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU) e a Lei de Ordenamento do Uso e da Ocupação do Solo (Louos). Nos próximos dois anos, o presidente da Câmara ganha, além do orçamento independente e do status quo, a capacidade de negociar diretamente com a prefeitura a apreciação de matérias relevantes para o Palácio Thomé de Souza. E a eleição de Câmara ou de Muniz deve capitalizar politicamente o partido para chegar em 2016 com força para pressionar na construção da candidatura do próprio ACM Neto. Com a aprovação da LOA, entretanto, o tucano perde a moeda de troca mais forte com o Executivo e ainda sofre com a desarticulação dos vereadores, que estão, extraoficialmente, em recesso.
