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Ipac nega tombamento da casa onde Marighella cresceu

O Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac) negou o pedido de tombamento da casa onde o político e guerrilheiro Carlos Marighella (1911-1969) passou a infância, localizada na Rua Barão do Desterro, em Nazaré, próximo à Baixa dos Sapateiros. Segundo informações do Blog do Mário Magalhães, a decisão foi informada ao arquiteto Marcelo Ferraz, que elaborou a proposta, no último dia 1º. No ofício, a diretora-geral do órgão, Elizabete Rosas, justifica que o imóvel “não tem mais elementos que justifiquem uma análise de mérito para o tombamento estadual”. Ela acrescenta que “este instrumento de proteção não seria o mais adequado aos referidos imóveis, haja vista o número de intervenções que as edificações sofreram ao longo dos anos, perdendo sua autenticidade e elementos compositivos, critérios para análise do mérito da salvaguarda”. Filho do militante comunista, o advogado Carlos Augusto Marighella, se pronunciou sobre a negativa em seu perfil no Facebook: “Lamentavelmente, o Ipac nega pedido de desapropriação ou tombamento da casa em que meu pai viveu com a família na Baixa dos Sapateiros, em sua terra natal”. O arquiteto cita a capa da revista Veja de 1968, no qual Marighella é citado como “inimigo público número 1” e outra capa publicada no ano seguinte, com a foto dele morto. Ele questiona também a demora de 16 meses para a resposta da autarquia. E quanto à justificativa do mau estado do imóvel, ele rebate: “a seguir este critério, só serão tombadas edificações de famílias abastadas, cujas gerações seguintes tiveram condições financeiras de preservar o patrimônio. O estado só tombaria como patrimônio cultural o que era dos ricos, ignorando o valor histórico do que não pertencia a abonados”.

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