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Militar se recusa a depor à Comissão da Verdade: ‘Se virem’

Foto: Reprodução / Comissão Nacional da Verdade
Um tenente do Exército se recusou a comparecer a uma audiência da Comissão Nacional da Verdade porque não quer colaborar “com o inimigo”. José Conegundes do Nascimento, que atuou na repressão à Guerrilha do Araguaia, foi convocado a prestar depoimento no dia 29 de agosto, mas devolveu o ofício em 3 de setembro com um recado escrito à mão. “Não vou comparecer. Se virem. Não colaboro com o inimigo”, colocou. O coordenador do grupo, Pedro Dallari, classificou a atitude como uma “afronta”. Ele informou nesta segunda-feira (8) que pedirá que o Ministério da Defesa investigue uma eventual infração disciplinar por parte de Conegundes e do general do Exército José Brant Teixeira, que também se recusou a comparecer. “É uma afronta à comissão, que foi constituída por lei e tem o direito de colher esses depoimentos. Optamos por informar o ministro da Defesa para que a pasta apure, até porque estamos diante de uma infração disciplinar e terá que se verificar se isso não está decorrendo até de problemas de saúde, tal a gravidade da afronta, já que são pessoas idosas”, sugeriu o coordenador. Para Dallari, a resistência de oficiais a comparecer nas audiências é “estimulada” pelas Forças Armadas, que não reconhecem que houve violações aos direitos humanos durante a ditadura. Nesta segunda, estavam marcadas oitivas de cinco testemunhas, mas apenas o general de brigada Ricardo Agnese Fayad compareceu. Ainda assim, ele permaneceu em silêncio e não respondeu a nenhum dos questionamentos da comissão.

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