Governo desiste de lei que aumenta rigor contra black blocs
O governo federal desistiu de instituir, até o início da Copa do Mundo, uma lei para reprimir os “black blocs”. "O governo voltou atrás, foi uma mudança de posição sim", disse o ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, em entrevista ao UOL Esporte. Nesta quinta-feira (15), estão programadas manifestações em várias cidades brasileiras contra o custo da preparação para a Copa do Mundo. O anúncio de um projeto de lei sobre o assunto foi feito no início do ano pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que depois afirmou que apoiaria a aprovação de uma proposta semelhante, de autoria do senador Armando Monteiro (PTB) e relatoria do senador Pedro Tasques (PDT). A matéria, que prevê penas mais pesadas para os crimes de lesão corporal, homicídio e vandalismo durante manifestações, tramita no Senado em caráter terminativo (se aprovado, segue direto para sanção presidencial). Na quarta (14), a votação do texto foi obstruída por senadores governistas. "A necessidade dessa lei foi trabalhada a partir do final de junho de 2013, quando as manifestações populares arrefeceram e a tática black bloc ganhou força", explicou Carvalho, que diz não ver mais necessidade da norma. "Hoje entendemos que o aparato legal que temos é suficiente para coibir abusos, é por aí que vai a evolução na posição do governo. Temos que apostar tudo por um lado no diálogo e em segundo na evolução dos acontecimentos ligados a Copa. As pessoas vão se dando conta que uma série de previsões alarmistas e catastróficas não se confirmaram", argumenta.
