Biblioteca da Presidência trata golpe de 1964 como ‘vitória da revolução’
Apesar de ser tratada por historiadores, cientistas e juristas como golpe, a ação militar de 1964 ainda é considerada como “vitória do movimento revolucionário” pela Biblioteca da Presidência da República. No espaço dedicado aos ex-presidentes, o espaço registra que o então presidente da Câmara dos Deputados Ranieri Mazzilli assumiu a Presidência em 2 de abril de 1964 “por convocação do Congresso Nacional, que anunciou a vacância do cargo, após a vitória do Movimento Revolucionário de 31 de março de 1964”. Mazzilli teria, então, entregue o cargo 16 dias depois ao marechal Humberto de Alencar Castelo Branco. Procurada, a instituição informou que não há, no momento, motivos para mudanças. Mas para o secretário nacional de Justiça e presidente da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, Paulo Abrão, a denominação mostra que “alguns setores ainda não fizeram a devida condenação moral à ditadura e à ruptura com as instituições”. “Isso está no campo das disputas simbólicas em torno da ditadura militar. Evidentemente, que quem inseriu isso lá [na biblioteca] no passado tinha essa convicção. Resta às pessoas do presente modificarem”, criticou Abrão. À Agência Brasil, a biblioteca justificou que “a veracidade de fatos históricos registrados nas nossas fontes oficiais não é questionada. A informação histórica é armazenada, tratada e disseminada”. Questionada sobre a possibilidade de mudança nos trechos que tratam o golpe militar como “vitória do movimento revolucionário”, a direção da instituição informou que qualquer alteração só será feita caso “uma fonte histórica oficial validada sobreponha alguma dessas informações”.
