Casa de Oxumarê é o sexto terreiro tombado pelo Iphan em Salvador
O terreiro Ylê Axé Oxumarê, localizado no bairro da Federação, em Salvador, um dos mais antigos centros de culto afro-brasileiro do Brasil, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em novembro de 2013, ganhou nesta quarta-feira (15), dia de Xangô, uma placa comemorativa do reconhecimento do espaço como patrimônio do Brasil. Estiveram presentes na cerimônia o governador Jaques Wagner, a primeira-dama do Estado, Fátima Mendonça, a ministra da Cultura, Marta Suplicy, e outros convidados e autoridades. Para o governador, é difícil mensurar a importância do tombamento de um terreiro como o Casa de Oxumarê, que reúne pessoas dedicadas à manutenção da religião africana, que durante muito tempo foram perseguidas pela polícia e pelo Estado brasileiro, “e agora tem este reconhecimento do Iphan e do Ministério da Cultura, que tornam esta casa um patrimônio histórico do Brasil. Para a Bahia é algo grandioso”. O Babá Pecê do terreiro, Silvanilton Encarnação da Mata, avalia ser importante que a iniciativa incentive o tombamento de outros espaços religiosos, os quais também precisam preservar a sua cultura e história. “Para nós, é uma tranquilidade porque podemos perceber a importância deste local escolhido pelos orixás, de onde emana muita energia e que já foi de muita resistência para o povo negro. Nossos ancestrais lutaram e sofreram muito, mas tenho certeza que hoje eles estão felizes com este reconhecimento e a preservação deste espaço”. Segundo a ministra Marta Suplicy, o tombamento é um processo complexo. “Este terreiro é algo que vai além da religião, faz parte da história do Brasil, é um lugar de resistência da cultura afrobrasileira”. O Ylê Axé Oxumarê é um dos sete terreiros já tombados no Brasil, dos quais seis estão na Bahia - Casa Branca, Ilê Axé Opô Afonjá, Gantois, Alaketu e Bate-folha – e um em São Luís do Maranhão, o Casa das Minas Jejê.
