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Sem licitação, PM do Rio comprou bombas de lacrimogênio 3 vezes mais forte em junho

Bombas de gás lacrimogênio três vezes mais potentes do que as normalmente empregadas pelas forças de segurança brasileiras foram compradas pela Polícia Militar do Rio de Janeiro com a Condor S/A Indústria Química e utilizadas nas manifestações de junho. No último dia 2, o procurador da República Jaime Mitropoulos converteu o procedimento preparatório para apurar o caso em inquérito civil, depois de a fabricante informar que, desde 2012, vende para a PM fluminense artefatos com concentração de até 30% de ortoclorobenzalmalonitrilo, o lacrimogêneo. Segundo o Exército, responsável por fiscalizar a produção e comercialização desse tipo de produto, as fábricas brasileiras produzem granadas com concentração aproximada de 10% da substância. Em junho, devido à onda de protestos no país, a Secretaria Estadual de Segurança fez a última compra para repor emergencialmente o estoque, que ficou praticamente zerado logo no início do mês. A compra, no valor de R$ 1,6 milhão, foi feita sem licitação. Por causa dos protestos, o montante pago pelo governo do Rio à Condor no primeiro semestre deste ano (R$ 2 milhões) já superava em 66% tudo o que foi gasto no ano passado (R$ 1,2 milhão), segundo levantamento feito no Sistema Integrado de Administração para Estados e Municípios (Siafem). A Secretaria Estadual de Segurança informou que a questão deve ser respondida pela Polícia Militar. Procurada na manhã de quinta-feira, a PM informou na noite de sexta que precisava de mais tempo para levantar todos os lotes de bombas adquiridos e responder às perguntas. Em nota, a Condor informou que ainda não foi notificada da investigação do MPF, "não tendo elementos para se pronunciar em razão disso". As informações são do Estado de S. Paulo.

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