Candidatos à reitoria acusam gestor de baixar padrões da Ucsal: 'Perdemos mil alunos por ano'
Por José Marques
Os dois candidatos da oposição nas eleições para a lista tríplice de reitor da Universidade Católica de Salvador (Ucsal) acusam o atual gestor – que se mantém no poder há 28 anos – de “naufragar” a entidade e provocar o “esvaziamento das salas de aula”. Na próxima terça-feira (19), os alunos, professores e funcionários votam em quem desejam para comandar a Ucsal pelos próximos quatro anos. A lista tríplice é encaminhada a um conselho que define o nome mais apto a partir de critérios como experiência, idade e plano de governo. Os pleiteantes José Menezes e Maurício Ferreira se uniram no movimento “Renova Ucsal”, que se opõe ao grupo “Sou + Ucsal”, do reitor José Carlos de Almeida, e levantam números como a baixa média do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) – entre dois e três, de um máximo de cinco – para justificar as críticas ao administrador. “Poucos cursos têm nota quatro e, na graduação, nenhum tem nota cinco”, reclamou Maurício, em entrevista ao Bahia Notícias. Segundo ele, a Católica perdeu a capacidade de atrair alunos e tem, cada vez mais, reduzido a quantidade de interessados na academia. “Há cerca de 13, 14 anos, a universidade tinha 20 e poucos mil alunos. Hoje somos pouco menos de 10 mil na graduação e pouco mais de 900 na pós. Perdemos praticamente mil alunos por ano. E a universidade não apresentou nenhuma proposta para sanar esse esvaziamento”, contabilizou. Menezes endossa as queixas. “Temos um problema de natureza política. São sete gestões e há quase 30 anos a instituição não apresenta um sucessor. É um cargo vitalício?”, questionou.

Maurício Ferreira diz que nota no Enade caiu para entre dois e três
Um dos maiores entraves da Católica é a dívida previdenciária, que já ultrapassa R$ 350 milhões e limita a entidade de obter recursos públicos em editais para melhorar a estrutura da universidade. Menezes propõe a “negociação e discussão” da dívida caso ganhe o pleito. “Se a filantrópica tem direito a isenção e não foi corrido atrás com as ferramentas políticas necessárias antes, porque não se corre a Brasília? Temos muita gente capaz de negociar essa dívida maldita”, considerou. Eles prometem um “choque de gestão” para “conseguir um nível de excelência de no mínimo quatro no Enade”.

Menezes acha que "é preciso política" para negociar dívida previdenciária da Ucsal
No segundo dia programado para haver uma rodada de debates entre os candidatos, na última terça-feira, um tumulto fez a comissão eleitoral cancelar não só aquela disputa de ideias, mas todas as outras subsequentes. Os aliados do reitor acusavam a “Renova Ucsal” de “levar seminaristas que não eram alunos” para “criar confusão” no local. Maurício nega. De acordo com ele, havia um clima de tensão desde o debate da noite da segunda-feira (11). “Fui ameaçado por pessoas que nem sabemos se é da universidade. Apresentamos queixa”, acusou. “Nesse dia, o grupo deles chegou mais cedo e tomou conta das 27 questões feitas no debate. Fizeram 12 direcionadas a mim e o restante ao reitor, mas nenhuma a Menezes. Nos organizamos para não acontecer o mesmo no outro dia e chegamos meia hora antes. Eles se irritaram e fizeram baderna”, garante. Na ocasião, o estudante de Direito Moisés Carvalho, ligado à gestão da universidade, disse que os supostos seminaristas causaram tumulto porque “o campus de Pituaçu sediará um Instituto de Biomedicina que fará estudos com células-tronco”. “Ele é um desinformado”, rebate Maurício, ao assegurar que “os dilemas éticos da igreja não interferirão na academia”. “Na Europa, as universidades católicas são de ponta nas pesquisas de célula-tronco. A pesquisa é da sociedade. A igreja não disse não vai ter pesquisa”, replicou. O Bahia Notícias tentou entrar em contato com o reitor José Carlos de Almeida para responder às acusações e apresentar seu plano de campanha. Até o fechamento dessa reportagem, ele não respondeu aos telefonemas e recados deixados na reitoria.
